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ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

As escolhas da França

Prestes a ir às urnas, o país está dividido e com raiva

As escolhas da França
A luta pelo liberalismo internacional migrou para o berço do Iluminismo (Foto: Wikipedia)

A França está em guerra consigo mesma. Todos os quatro candidatos à presidência têm chances de ir ao segundo turno, no dia 7 de maio. De um lado, está a extrema-direita; do outro, a esquerda radical; com dois reformistas pró-comércio no meio. Não é sempre que a democracia europeia se encontra tão dividida entre progresso e desastre.

Depois da votação pelo Brexit, a eleição de Donald Trump e, semana passada, na Turquia, a aprovação do referendo que assegura o poder de Recep Tayyip Erdogan, a luta pelo liberalismo internacional migrou para o berço do Iluminismo. E o destino da França não é o único que está em jogo. A União Europeia vai paralisar se uma de suas potências estiver em caos ou for hostil. Pode, até mesmo, ser destruída, acabando com os princípios de um continente inteiro.

Quem quer que vença as eleições receberá um país descontente. O desemprego está acima de 10% desde 2012. Para os jovens, ainda está acima de 20%. A economia cresce devagar e não reúne impostos o suficiente para pagar pelos serviços públicos que os eleitores acreditam ser seu direito. O descontentamento com a UE é ainda mais forte do que na Grã-Bretanha pré Brexit.

A França costumava ser governada por intelectuais que gozavam de privilégios e poderes abundantes. Não é mais o caso. A taxa de aprovação do presidente atual, François Hollande, já esteve em 4%. O povo acredita que a elite falhou.

A França precisa de um presidente que conduza o país para a reforma. Diferentemente da maioria dos países da União Europeia, a nação nunca tomou passos reais pelo mercado de trabalho. Se comparados com o PIB, os gastos do governo são maiores que o da Suécia.

A vitória de Marine Le Pen, da extrema direita, ou de Jean-Luc Mélechon, da extrema esqueda, seria um desastre. Em contraste, a vitória de qualquer um dos candidatos pró-comércio seria uma bênção. Mas escolher entre eles é uma aposta.

Fontes:
The Economist-A consequential choice for France—and an uncertain one

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1 Opinião

  1. Regina disse:

    Marine Le Pen é a pior opção.Isto é, se ao invés de latir agressiva e ameaçadora como late, ela realmente tiver chance de morder. Porém, não creio que terá força moral para impor seus objetivos nacionalistas. É mais provável que sua falta de ação mergulhe a França num papel político e economico cada vez mais irrelevante, dentro e fora da CE.

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