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O dia da posse

As expectativas e as promessas do primeiro presidente negro americano

Após 21 meses de campanha eleitoral, entre as prévias democratas e o embate com John McCain, Barack Obama assume a presidência dos Estados Unidos da América com a responsabilidade de tirar o país e, por consequência, o mundo da crise em que se encontra.

Primeiro negro a exercer o cargo, o novo governante do país mais influente do planeta fez, ao longo da disputa pelos votos e após a eleição, uma série de promessas tanto na área financeira, como na política internacional: retirada do Iraque, mudanças nas relações com Cuba, fechamento da prisão de Guantánamo.

Os primeiros passos já começaram antes mesmo da posse, com a liberação de recursos para ajuda financeira  e o anúncio do fechamento de Guatánamo. O democrata Obama, eleito no dia 4 de novembro, ocupando o lugar de George W. Bush, com 349 votos no Colégio Eleitoral, contra 160 do concorrente republicano McCain, no entanto, avisa aos ansiosos que as promessas demorarão para serem cumpridas.

O presidente já declarou que sua prioridade será um pacote para a recuperação da economia, em meio a uma recessão que, segundo o próprio Obama, repetindo a maioria dos economistas, é a pior desde a Grande Depressão da década de 1930. Os Estados Unidos perderam 2,6 milhões de empregos em 2008.

Obama prometeu ampla reformulação nas regras para o setor financeiro e disse que teria pressa em implementá-la assim que assumisse. Segundo ele, estas mudanças seriam essenciais para resgatar a credibilidade do mercado. Em primeiro lugar está um pacote de US$ 700 bilhões para a recuperação da economia, que inclui benefícios fiscais à classe média.

O plano de governo do candidato democrata prevê, ainda, um programa fiscal com impacto positivo para 95% dos norte-americanos, pretende acabar com benefícios tributários a empresas que exportam empregos e quer tornar os planos de saúde mais baratos.

Ainda no setor financeiro, propôs um aumento do valor dos depósitos bancários garantidos pelo governo de US$ 100 mil para US$ 250 mil. Outro caminho é gerar mais empregos e aliviar a pressão sobre as famílias norte-americanas castigadas pela crise econômica. Ele defendeu a permissão para sacar dos planos de aposentadoria e impedir por três meses as execuções de hipotecas.

Apesar de as reformas econômicas estarem na frente, Obama afirmou que entre as mudanças que vai tentar promover rapidamente estão a interrupção da limitação imposta pelo governo Bush ao investimento em pesquisas com células-tronco e a exploração de gás e petróleo, de acordo com o jornal "Washington Post". Estas medidas não dependem de autorização do Congresso.

Nesta lista também constam políticas sobre controle das alterações climáticas, como a possibilidade de modificar a decisão de Bush de negar à Califórnia o direito de regular as emissões de dióxido de carbono dos automóveis. De acordo com o "Washington Post", Obama deve colocar em prática suas ideias em alguns casos. Já em outros, vai restaurar políticas do governo de Bill Clinton, que foram suspensas nos oito anos de governo Bush.

Quando ainda concorria com Hillary Clinton à indicação do Partido Democrata, Obama prometeu uma nova política, menos egoísta e tímida, que refletisse a decência do povo americano. Com esse espírito, já era rotulado como o homem da mudança. Uma questão importante, contrária ao governo Bush, é a retirada dos soldados norte-americanos do Iraque para concentrar forças na luta contra a Al-Qaeda  no Afeganistão. O presidente eleito disse, em meados de 2008, que pretende aumentar em um terço a tropa no país, que conta hoje com 33 mil soldados.

Outra proposta de Obama é o relaxamento das restrições de visitas a Cuba para os americanos de origem cubana. Ele quer permitir o aumento do limite de dinheiro que estas pessoas podem enviar à ilha, que atualmente só permite que cubanos residentes nos EUA visitem o país uma vez a cada três anos.
Qualquer político é conhecido por buscar votos a qualquer preço.  Obama não é diferente e terá que responder pelas promessas de ser protecionista com relação aos subsídios agrícolas ao estado de Iowa, basicamente produtor de etanol, e de impedir que o Irã produza armas nucleares.

Além destes enormes desafios inicias, o novo presidente precisa se voltar para outras questões importantes, como  energia, reforma do sistema de saúde, conseguir recursos para mais investimentos na infraestrutura nacional e na tecnologia da informação, realizar as reformas educacional e social, como a Seguridade Social e um programa de assistência médica para idosos e aposentados.

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12 Opiniões

  1. Evandro Correia disse:

    A imprensa está fazendo tanta onda a respeito da posse do Barak Obama que me faz lembrar o casamento do Príncipe Charles com Lady Diana. Nos Estados Unidos está um clima de final de Copa do Mundo, com empresas tomando a atitude inédita de pôr TVs nos locais de trabalho, coisa que não é comum num país onde o trabalho é levado a sério.

  2. Manfred Konrad Richter disse:

    Vi numa revista a foto do "Tio Sam" dizendo EU SALVEI VOCÊ, a respeito da injeção de dinheiro para salvar o crédito no mercado.

    Os EUA criaram um TITANIC econômico que quase afundou levando o mundo junto, e agora veem dizer que ELES SALVARAM a gente?
    Eles quase nos afundaram (mundo).

  3. Simon disse:

    CERTAMENTE, A AUTO-ESTIMA, DETERMINAÇÃO E OUTRAS ATITUDES SÉRIAS DO POVO NORTE-AMERICANO, AJUDARÁ O PRESIDENTE A RECONDUZIR SEU PAÍS NO RUMO DA MÁXIMA PROSPERIDADE POSSÍVEL, E COM ISTO, BOA PARTE DO MUNDO. CREIO QUE COM BOA DOSE DESTAS CARACTERÍSTICAS, SOMADAS A ISENÇÃO DE HIPOCRISIAS, DEMAGOGIAS, POPULISMO E "SHOWMICIOS ", TAL RECUPERAÇÃO PODERÁ TENDER A OCORRER EM ESPAÇO BASTANTE CURTO.

  4. heloisa disse:

    Concordo plenamente com Simon. Tenho apenas 1 desejo: que o país o proteja. De fato finalmente temos uma celebridade consistente nas telas, notícia melhor que a do casamento de Lady Di. Porém a comemoração desse novo tempo não nos dá muita chance de frear nossas expectativas e apreenções. Simon é mais otimista que eu. Barack deve e acho que será muito bom, mas a tal recuperação parece que vai demorar muito. Tio Sam, como bem diz Manfred, de fato nos afundou.

  5. Gel Santos disse:

    Obama, que todos os orixas o protejam e que ele consega realizar todas as promessas e que realmente o mundo veja uma nova paisagem. Como ele é mágico ele é um Presidente, um mortal com erros e acertos.

  6. Katia Lund disse:

    Negro não, mulato, vcs aí da redação não sabem a diferença?

  7. Bruno Bastos Galvão disse:

    Só acho que é muito facil falar que a guerra vai acabar quando nao se tem mais dinheiro, com a recessao na economia e com o desemprego aumentando.
    Muito boa a matéria

  8. Mauricio disse:

    E o Protocolo de Kyoto, vai assinar? Ninguém fala mais disso.
    De guerra todo mundo quer saber.

  9. Evandro Correia disse:

    Katia, talvez fosse interessante você nos explicar a diferença que vê entre negro e mulato. A discriminação é igual, o preconceito é igual, nos EUA todos se chamam "black", não importa se tem uma parcela de sangue branco.

  10. Kátia disse:

    O que faltava era uma pessoa como ele com boa vontade e bons planos para um futuro melhor.
    Que importa a sua cor?
    Acho que as pessoas precisam mudar seus conceitos para começar a pensar em melhorar o mundo.

  11. Têka disse:

    viva a raça negra, a posse do Obama é uma prova que o poder e justiça não tem cor o que vale mesmo no ser humano é o carater e inteligência Obama,Obama,OBAMA NAS ALTURAS

  12. Dedeu disse:

    Gostaria de lembrar a cada um de vcs….quem foi o pricipal causador da crise mundial? Depois de tanta crueldade com a humanidade,querem ser o salvador do mundo…chegar…a vida, ñ é uma novela…para querer fazer dois papeis…

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