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ALARME FALSO NO HAVAÍ

As falhas nos sistemas de alerta dos EUA

O alarme falso do ataque de um míssil no Havaí expôs a ineficiência de equipamentos que podem salvar vidas em situações de riscos

As falhas nos sistemas de alerta dos EUA
Alguns sistemas têm falhas que prejudicam sua funcionalidade (Foto: Wikimedia)

Alguns sistemas de alerta de emergência móveis (WEA) dos EUA têm problemas na interface do software que prejudicam sua funcionalidade. Depois que os usuários de smartphones no Havaí foram orientados na manhã do dia 13 de janeiro a procurar abrigo para se protegerem do ataque de um míssil balístico, a Agência de Gerenciamento de Emergência do Havaí (HEMA) demorou 38 minutos para enviar uma mensagem à população avisando que era um alarme falso. Enquanto isso, as pessoas em pânico corriam à procura de lugares seguros para se abrigarem. Um homem morreu de um ataque cardíaco.

No início, os funcionários da agência atribuíram o erro a um funcionário que havia apertado o botão “Missile alert”, em vez de “Test missile alert”. Mas em 30 de janeiro, os investigadores anunciaram que o operador acionara o botão convencido que o Havaí era alvo do ataque de um míssil e que havia confundido treinamentos e emergências reais pelo menos duas vezes antes.

A HEMA agora exige que os avisos de alerta sejam aprovados por dois funcionários. Um texto “false alarm”, que permite o envio rápido de notificação de alarme falso foi acrescentado à lista de mensagens. O funcionário que cometeu o erro foi demitido, um fato raro nesse tipo de agência governamental. O governo tem razão em adotar essas medidas. Diante de um alarme falso as autoridades podem tomar providências inadequadas que agravam a situação, ou podem provocar uma reação do exército, sobretudo em países com serviços de inteligência fracos.

A interface mal projetada do software não é o único problema dos sistemas de alerta de emergência. Embora a HEMA possa enviar uma mensagem de alerta a uma área próxima ameaçada, por exemplo, do risco de uma inundação, algumas agências usam um software que se limita a enviar sinais de alerta para grandes áreas. Durante os incêndios que mataram dezenas de pessoas na Califórnia no ano passado, autoridades de determinados condados, como Napa e Sonoma, não enviaram WEAs, porque temiam que a imprecisão dos alertas resultasse em enormes engarrafamentos nas estradas de pessoas que saíram de suas casas sem necessidade.

Além disso, o texto das mensagens tem uma limitação de 90 caracteres, o que impede o envio de instruções adicionais. As chamadas telefônicas bloqueiam os WEAs, que, por sua vez, não podem incluir imagens como mapas ou links para acessá-las. Segundo a Agência Federal de Gerenciamento de Emergência, que supervisiona os WEAs, muitos celulares não recebem os avisos de alerta, e nem todos os provedores de telefonia móvel pertencem ao sistema WEA.

Algumas dessas questões estão sendo corrigidas. A Comissão Federal de Comunicações aprovou em 30 de janeiro uma lei que exige que os WEAS enviados pelas empresas de telecomunicações atinjam todos os celulares das áreas de risco, com uma precisão de 160 metros. A partir de maio de 2019, as mensagens de texto dos WEAs terão 360 caracteres e links para conteúdo online. Pelo menos, a experiência assustadora da população do Havaí não foi inútil e pode evitar que incidentes semelhantes se repitam.

Fontes:
The Economist-Why America’s emergency-alerts systems need improving

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