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As lições que os EUA aprenderam com a explosão da Deepwater Horizon

Do ponto de vista político, a BP é um alvo fácil. É uma empresa de petróleo estrangeira, e sem dúvida causou um grande prejuízo

As lições que os EUA aprenderam com a explosão da Deepwater Horizon
A BP reservou US$ 42 bilhões para pagar multas, indenizar as vítimas, e despoluir o mar e a costa (Fonte: Reprodução/EPA)

Há cinco anos, no dia 20 de abril, a plataforma de petróleo Deepwater Horizon da BP explodiu matando 11 homens e ocasionando o vazamento de mais de 100 milhões de galões de petróleo no Golfo do México. A BP reservou US$ 42 bilhões para pagar multas, indenizar as vítimas, e despoluir o mar e a costa. É uma soma de dinheiro considerável, o suficiente para financiar o National Health Service britânico por três meses. E a conta final pode ser ainda maior.

Em fevereiro, um juiz federal rejeitou o pedido da BP de limitar suas multas no âmbito da Clean Water Act (CWA) em US$ 9,57 bilhões e determinou que a quantia de US$ 13,7 bilhões seria mais adequada. Por sua vez, os administradores das agências federais de proteção ambiental, os estados afetados pelo vazamento de petróleo (Alabama, Louisiana, Mississippi, Flórida e Texas) e as tribos indígenas estão supervisionando as avaliações do Natural Resource Damage Assessment and Restoration Program (NRDA), para determinar a extensão do dano causado e a quantia a ser paga pela BP para despoluir a área. Seria interessante para o governo se essas estimativas fossem elevadas. Do ponto de vista político, a BP é um alvo fácil. É uma empresa de petróleo estrangeira. E sem dúvida causou um grande prejuízo. Além disso, o governo pretende gastar parte do dinheiro. Portanto, como previsível as primeiras estimativas oficiais divergiram das avaliações da BP.

Um relatório recente da gigante do setor de petróleo revelou que as informações disponíveis não indicam “um impacto de longo prazo significativo [sic] na fauna e flora do golfo”. As safras de camarão estão abundantes. As aves marinhas estão reproduzindo-se como antes. Em agosto de 2010, menos de 2% das amostras de água apresentaram vestígios de produtos químicos relacionados ao petróleo acima dos níveis que a Environmental Protection Agency considera seguros para a vida marinha. “As poucas áreas com a presença de agentes tóxicos prejudiciais ao ecossistema limitaram-se no espaço e no tempo, principalmente na área próxima à boca do poço de petróleo durante a primavera e o verão de 2010”, disse a BP. Os administradores responsáveis pela elaboração das avaliações do NRDA alegam que a BP “interpreta de maneira equivocada e aplica mal os dados”.

Até o momento a BP já gastou aproximadamente US$ 12 bilhões para solucionar cerca de 300 mil reclamações do setor privado. Algumas foram fraudulentas. Segundo a BP, a empresa pagou mais de US$ 500 milhões a pessoas com informações falsas ou exageradas, como a da loja de telefones que se incendiou antes da explosão da plataforma de petróleo. É pouco provável que consiga recuperar parte desse dinheiro.

Fontes:
The Economist - Deepwater Horizon: Double, double, oil and trouble

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