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ENTRETENIMENTO

As luzes estão se apagando nas casas noturnas da Europa

Valorização de imóveis e de áreas prejudica o negócio de casas noturna europeias

As luzes estão se apagando nas casas noturnas da Europa
À medida que as cidades se valorizam, os políticos locais adotam medidas mais rigorosas em relação aos clubes noturnos (Foto: Flickr)

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Depois da queda do Muro de Berlim os clubes noturnos espalharam-se pela cidade em um momento de “anarquia cultural”. As boates ocuparam antigas agências de bancos, depósitos e usinas de energia elétrica abandonados. No resto da Europa a moda dos “superclubes” começara na década de 1980, com a abertura de várias casas noturnas. Mas, desde então, o movimento da vida à noite nas boates e clubes tem diminuído de ritmo.

De 2001 a 2011, o número de clubes noturnos na Holanda diminuiu 38%.

Segundo dados da Association of Licensed Multiple Retailers, em 2005 havia 3.144 clubes noturnos na Grã-Bretanha, mas dez anos depois o número caiu para 1.733; em 2015 os clubes noturnos tiveram uma receita de £1,2 bilhão (US$1,7 bilhões), em comparação com £1,5 bilhão em 2010. Em Berlim, embora o número de locais de shows, música e dança tenha se mantido estável em torno de 350 (entre os quais 120 são clubes), diversos lugares tradicionais fecharam.

Esse declínio em parte pode ser explicado pelo fato de a maioria das cidades europeias ter se transformado em lugares mais agradáveis de viver. “Mesmo em Berlim é difícil encontrar um espaço não utilizado no perímetro urbano da cidade”, lamentou Sven von Thülen, um DJ que compilou uma história oral dos clubes noturnos. Por esse motivo, os clubes estão se instalando em locais mais afastados do centro da cidade. O aumento dos aluguéis também é um problema, comentou Lutz Leichsenring, um dos organizadores do Club Commission, uma associação alemã de apoio aos clubes noturnos e eventos culturais, sobretudo em cidades como Londres, onde os preços dos imóveis valorizaram-se muito nos últimos anos.

A valorização dos imóveis em determinados locais dificulta a abertura e permanência de casas noturnas. As reclamações dos moradores de classe média do barulho e dos bêbados que provocam desordens na rua complicam a vida dos donos de clubes. À medida que as cidades se valorizam, os políticos locais adotam medidas mais rigorosas em relação aos clubes noturnos. No ano passado as autoridades fecharam duas boates em Berlim por violarem as normas de segurança contra incêndios.

Duas grandes mudanças sociais estão dificultando ainda mais a vida dos proprietários de clubes noturnos. Hoje, a maioria dos jovens é abstêmia. Na Alemanha, Grã-Bretanha, Dinamarca e Espanha o uso do ecstasy, que provoca euforia, aumento de energia e mais prazer em dançar ao som de música alta com estranhos, diminuiu entre jovens de 15 a 34 anos. O excesso de consumo de álcool também diminuiu um pouco entre os jovens. Além disso, os grandes festivais de música ao ar livre estão substituindo os clubes.

Fontes:
The Economist-Less than ecstatic

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2 Opiniões

  1. Ludwig Von Drake disse:

    Nas boates europeias nunca se sabe quem (ou o que) é que está cafungando no teu cangote e em que idioma. E tem muito mofo. Melhor é visitar o Caribe.

  2. Roberto1776 disse:

    Bom para as habitantes destas cidades. Provavelmente Ficou mais fácil dormir.

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