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As origens da criatividade

Dois novos livros exploram o tema das raízes evolucionárias da criatividade dos seres humanos sob uma nova ótica

As origens da criatividade
Autores tentam descobrir o que torna os seres humanos criativos (Foto: Pixabay)

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A ciência destrói a beleza? John Keats, um poeta inglês, achava que sim. Quando Isaac Newton isolou a luz branca de seu prisma de cores e deixou-a atravessar o prisma surgiu um arco-íris. Ao explicar o fenômeno da formação do arco-íris, “seu mistério e beleza desapareceram”, escreveu Keats. A ideia que a ciência e a arte são culturas distintas e incompatíveis é antiga. Mas dois novos livros que abordam o tema da criatividade do ser humano reformulam esse conceito.

Aos 88 anos, Edward Wilson, autor de The Origins of Creativity, é um dos mais importantes biólogos de Harvard e um especialista em mirmecologia, o estudo das formigas. Embora só tenha 198 páginas, o livro The Origins of Creativity é prolífico em ideias, muitas das quais se estendem além do título, uma característica do estilo de escrita de Wilson. No entanto, apesar das divagações, o livro gira em torno dos temas de genética e evolução, assim como na crença que a cultura e a criatividade têm raízes genéticas.

Wilson remete à pré-história nas savanas africanas para descrever o processo evolutivo da criatividade. Os antepassados ​​do homem eram vegetarianos e antissociais. O hábito de comer carne obrigou-os a caçar em grupo e a compartilhar a caça. Essa experiência de sociabilidade deu origem à evolução da comunicação e da inteligência social. Por fim, por meio da seleção natural, resultou na linguagem simbólica. A partir de então os homens começaram a contar histórias e a se reunirem ao redor do “brilho das fogueiras nos primeiros acampamentos”.

Essa versão da evolução humana é objetiva. Mas Wilson segue uma ideia mais controversa ao dizer que os homens são seres estáticos, paralisados por sua incapacidade de reconhecer suas raízes evolutivas. A salvação da humanidade, escreveu, reside nos cinco grandes temas da ciência: paleontologia, antropologia, psicologia, biologia evolutiva e neurobiologia. Ao estudar essas diferentes áreas, os cientistas poderão associar a estética e a evolução cultural à evolução genética. Nesse contexto, Wilson adaptou a frase do geneticista Theodosius Dobzhansky, “Nada na biologia faz sentido, exceto à luz da evolução”, para “Nada na ciência e no estudo do ser humano tem sentido, exceto à luz da evolução”.

Enquanto em seu livro Wilson aborda as origens da criatividade, Anthony Brandt e David Eagleman, compositor e neurocientista, concentram-se em The Runaway Species em descrever o ato da criação. Os autores são claros e objetivos ao dizer que, ao contrário do ato divino de dar existência aos seres e ao mundo a partir do nada, a criatividade é um processo evolutivo, no qual de uma maneira consciente ou não, as pessoas reformulam experiências anteriores.

Em The Runaway Species os autores citam o cubismo, o sequenciamento do DNA, a fotomontagem em filmes, o processo que remove os íntrons e reúne éxons depois da transcrição do DNA e as línguas crioulas como adaptações de conceitos, teorias e conhecimentos decorrentes do processo evolutivo.

De certa forma, Keats tinha razão ao dizer que o exame científico de uma obra de arte ou de um fenômeno da natureza eliminava seu caráter mágico. No entanto, Wilson e Eagleman são cientistas e escritores, um exemplo real que a ciência e a arte podem coexistir em harmonia, uma prova que não são culturas distintas nem antagônicas.

Fontes:
The Economist-What makes humans inventive?

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2 Opiniões

  1. Markut disse:

    De qualquer forma,permanece o questionamento básico: Porque e para que?, do qual talvez nunca tenhamos a resposta.

  2. Rogerio Faria disse:

    Excelente, principalmente quando coloca a evolução e a criatividade humana, não como um ato de criação divina, e sim como um processo constante da evolução.
    Arte e cultura sempre estiveram juntas neste processo evolutivo, principalmente considerando os hominídeos como seres gregários.

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