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Crime em cidades

Como os EUA conseguem manter suas ruas mais seguras

A grande queda da criminalidade continua. Ninguém sabe ao certo por quê

Como os EUA conseguem manter suas ruas mais seguras
A criminalidade dos EUA despencou em comparação com os índices de 1992 (Reprodução/Corbis)

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Batidas de carros em alta velocidade, lidar com políticos: a vida de um policial de Los Angeles pode ser cansativa. No entanto, em termos de estresse, poucas coisas competem com o desafio de uma reunião Compstat. A cada sete semanas, os comandantes de distritos são avaliados por uma banca de policiais graduados — dentre os quais geralmente está o chefe de polícia — a respeito das causas de crimes em suas jurisdições. Espera-se que eles tenham um domínio preciso das estatísticas: caso tenha ocorrido um pico de assaltos a veículos, os interrogadores vão querer saber o que está sendo feito a respeito disso. Não há como se esconder dos números: documentos repletos de dados são distribuídos antes da reunião e projeções de mapas apontam para os locais de incidentes pontuais, com um nível de detalhe inclemente. A pressão já levou policiais durões às lágrimas.

A maioria dos analistas concorda que o Compstat melhorou a eficiência e eficácia da polícia de Los Angeles e outras cidades com um sistema similar. Ajuda de duas maneiras. Primeiro, ao obrigar a coleta e organização de dados detalhados sobre a criminalidade, de modo a facilitar a alocação de recursos. Segundo, introduz a imputabilidade do tipo mais rígido. Se você não está reduzindo o crime em seu distrito, não importa que seus filhos joguem basquete com os filhos do prefeito: você pode esquecer aquela promoção.

Queda na criminalidade

A criminalidade nos EUA despencou desde o seu pico numérico em 1992, e os crimes violentos caíram em 38%, de acordo com dados do FBI. Até que ponto inovações nos procedimentos policiais tal como o Compstat podem explicar essa queda? Naturalmente, as forças policiais e os políticos se apropriam de boa parte do crédito.

No entanto, o bom policiamento não é o único fator por trás da queda. Com relação a crimes violentos em Los Angeles, a queda começou em 1992, uma década antes da introdução do Compstat, e numa época em que o Departamento de Polícia de Los Angeles era execrado por muitos residentes, especialmente negros e latinos. A verdade é que ninguém previu o grande declínio do crime nos EUA e ninguém tem explicações definitivas para o mesmo. Algo que confunde particularmente é a aceleração da queda após 2008. Muitos observadores consideram que um país mais pobre estaria mais propenso a desobedecer as leis.

O crédito pela queda foi dado a inúmeros fatores:  desde a remoção de chumbo dos combustíveis até o aumento da prescrição de remédios psiquiátricos. Uma controversa teoria proposta em 2001 por dois acadêmicos, Steven Levitt (autor de “Freakonomics”) e John Donohue, que atribuiu metade da queda da criminalidade da década passada a mudanças nas legislações estatais sobre aborto na década de 70, ainda tem fãs. Hoje em dia há um interesse cada vez maior pelo papel de video-games e tecnologias de mídias sociais de fornecer modos alternativos de passar o tempo a homens jovens, os quais são responsáveis por grande parte dos crimes violentos.

Outros analistas voltam-se para explicações estruturais ou demográficas. Jack Levin, um professor de criminologia da Universidade Northeastern em Boston, reconhece o sucesso de estratégias de policiamento, mas observa que uma sociedade em processo de envelhecimento como a dos Estados Unidos pode esperar por níveis mais baixos de crime violento. A imigração também é relevante, ele afirma: vários estudos mostraram que cidades com uma grande quantidade de imigrantes têm taxas de crime violento mais baixas.

Fontes:
The Economist-America’s safer streets

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1 Opinião

  1. Élio J. B. Camargo disse:

    Se os “jovens, os quais são responsáveis por grande parte dos crimes violentos” não fossem, no Brasil, proibidos de trabalhar legalmente, antes dos 16 anos, para ganharem seu dinheiro, aprenderem o caminho digno, e não a marginalidade, haveria menos crimes?.

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