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POLÍTICA INTERNACIONAL

As sanções contra o Irã são a melhor opção?

As sanções dos EUA terão um grande impacto na economia do Irã. Mas a União Europeia prepara-se para contorná-las

As sanções contra o Irã são a melhor opção?
As sanções contra o Irã não forçarão o governo a retirar seu apoio ao Hamas e ao Hezbollah (Foto: Adam Jones/Flickr)

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Não há mistério nas intenções dos EUA ao imporem sanções a outros países. Quando aplicadas com inteligência e eficácia, elas forçam os governos a tomarem decisões contrárias as suas ideias ou posições políticas. As sanções pressionam países como Irã e Coreia do Norte a negociar acordos e a eliminar as fontes de financiamento de terroristas. Além disso, diminuem a pressão pela escolha de estratégias de alto risco e custo elevado.

As sanções impostas ao governo iraniano ajudaram o presidente Obama e os líderes europeus a concluir o acordo nuclear com o Irã. Agora, as novas sanções impostas pelo presidente Trump em 7 de agosto e a ameaça da adoção de medidas em novembro, que irão afetar as exportações de petróleo, criaram um clima de grande tensão no Irã. O rial sofreu uma grande desvalorização e os iranianos protestam nas ruas contra o aumento da inflação. Segundo previsões, o crescimento econômico se reduzirá no próximo ano.

No entanto, muitas vezes a imposição de sanções é contraproducente. Os EUA continuam sendo uma superpotência econômica, mas, hoje, muitos países não se intimidam mais com o poder de mercado dos EUA. É possível que algumas empresas europeias cedam às exigências do governo americano e cortem as relações comerciais com o Irã. Mas a China e a Rússia ocuparão o espaço vazio.

A aplicação de sanções a países como a Rússia exerce uma pressão limitada, porque ao penalizarem o povo russo e os oligarcas, geram uma dependência maior do apoio do Estado. Como resultado, em vez de diminuir a autoridade de Vladimir Putin, a fortalece. Em alguns casos, os governos culpam as sanções por desempenhos fracos no plano econômico.

As sanções impostas à Rússia após a anexação da Crimeia limitaram a política externa agressiva do governo russo, mas não impediram a intervenção militar da Rússia na Ucrânia. As sanções contra o Irã não forçarão o governo a retirar seu apoio ao Hamas e ao Hezbollah.

As sanções também são contraproducentes quando provocam retaliações que prejudicam os interesses internos dos EUA. A pressão em excesso pode causar um isolamento das empresas americanas. Além disso, o uso frequente do dólar como instrumento de pressão incentiva os países a migrarem para outras moedas em busca de reservas.

Por fim, as guerras comerciais e financeiras, assim como os conflitos armados, em geral são vencidas com a ajuda de aliados. Trump iniciou uma guerra comercial com a China, a União Europeia, o Canadá e o México. Ao mesmo tempo, impôs sanções à Rússia, à Coreia do Norte, à Venezuela e ao Irã. Em 1º de agosto, Trump aplicou sanções à Turquia por causa da prisão de um pastor americano, poucos dias depois de a Alemanha suspender suas sanções ao país. Os EUA não têm aliados em suas guerras.

“Qualquer país ou empresa que fizer negócios com o Irã não fará negócios com os Estados Unidos. Só estou em busca da PAZ MUNDIAL!”, escreveu Trump em sua conta no Twitter. Sem dúvida, as sanções serão um duro golpe para a economia do Irã, mas a harmonia universal não é uma meta realista na lógica de Donald Trump.

 

Leia também: Novas sanções dos EUA ao Irã ameaçam fabricação de tapetes persas
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Fontes:
Time-Trump Is Piling Sanctions on Iran. Here's How the Tactic Could Backfire

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