Início » Internacional » As semelhanças do neonazismo com o radicalismo muçulmano
Extremismo

As semelhanças do neonazismo com o radicalismo muçulmano

Análise do 'New York Times' fala que apesar das ideologias dos movimentos serem muito diferentes, o ódio é o mesmo

As semelhanças do neonazismo com o radicalismo muçulmano
O paralelo ocorre ao mesmo tempo em que a Europa tenta se recuperar de dois ataques fatais em dois meses (Reprodução/Internet)

As ideologias podem ser muito diferentes entre muçulmanos radicais e neonazistas. No entanto, o New York Times fez uma análise sobre as semelhanças desses dois movimentos, por conta da radicalização e da militância.

O paralelo ocorre ao mesmo tempo em que a Europa tenta se recuperar de dois ataques fatais em dois meses, ambos cometidos em nome do Islã. A ideologia religiosa desempenha um papel central na radicalização de muitos jovens europeus muçulmanos, que, atualmente, estão sendo atraídos para se juntar ao Estado islâmico ou matar em nome do grupo em casa. Mas os especialistas em terrorismo dizem que o processo psicológico que fundamenta a radicalização é extraordinariamente universal.

“Nós somos tão iludidos com a ideologia, que esquecemos o fato de que jihadistas e neonazistas têm muito em comum”, disse John Horgan, o autor de “A Psicologia do Terrorismo” e diretor do Centro de Estudo do Terrorismo e da Segurança na Universidade de Massachusetts. “As semelhanças de como eles se comprometem, involvem e se livram do terrorismo ultrapassa de longe as diferenças.”

A longa e variada história do extremismo da direita e de outras formas de militância, do marxismo violento até o Exército Republicano Irlandês, faz com que o continente se torne um rico laboratório de “contraextremismo” e “desradicalização”.

Hoje, o sucesso do recrutamento de grupos como o Estado Islâmico é considerado a maior ameaça. No entanto, analistas dizem que, a partir de décadas de pesquisa, algumas lições foram tiradas do infiltramento e da contenção desses movimentos, como a de que antigos extremistas têm um papel central na briga contra as tentativas radicais. Eles têm uma credibilidade que falta nos governos.

Os especialistas dizem que outra lição é que impedir apenas a propaganda extremista não é suficiente. Eles dizem que os esforços são mais eficazes, quando eles oferecem uma narrativa contrária, além de alternativas tangíveis para a violência.

Um programa pioneiro na Dinamarca trata combatentes não como possíveis terroristas, mas como jovens rebeldes. Acompanhados de perto pelas autoridades ao redor da Europa, o programa envolve aconselhamento, ajuda com a readmissão na escola e reuniões com os pais. Embora agora isso seja aplicado a radicais islâmicos que retornaram do Oriente Médio, o programa foi primeiramente desenvolvido em 2007 para extremistas da direita. Há limites para vontade dos governos de contar com um programa desse tipo. Mas especialistas em radicalização dizem que a compreensão do processo pelo qual as pessoas se apaixonaram pela brutalidade medieval de uma ideologia religiosa é vital para combatê-la.

 

Fontes:
New York Times-Same Anger, Different Ideologies: Radical Muslim and Neo-Nazi

2 Opiniões

  1. André Luiz D. Queiroz disse:

    Jorge Armani,
    Discordo: o nazismo não foi “derrotado”, ou seja, o ideário nazifascista não foi de todo eliminado, tanto que existem partidos neonazistas na Europa e até nos EUA (e aqui no Brasil também, onde ensaiaram aparecer), com o mesmo discurso xenófobo (contra os judeus, ou os negros, ou os hispânicos, ou os muçulmanos, ou os nordestinos…!) e atribuindo ao “imperialismo internacional” todas as mazelas da sociedade que dizem defender! Podem mudar o nome (quando mudam), mas a maneira de pensar, é a mesmíssima!
    Já o Islã… é outra coisa! Entendo que, na verdade, não é uma questão de conflito religioso, mas sim confronto entre identidades culturais (e nada define mais um grupo do que idioma e religião comuns). Portanto, não se trata de “vencer o Islã”, mas sim de superar a separação entre muçulmanos e não muçulmanos nas sociedades onde esses grupos convivem! É necessário que todos enxerguem em si uma identidade comum, que vá além de suas respectivas religiões e tradições culturais.

  2. Jorge Armani disse:

    O nazismo foi derrotado filosófica, moral e militarmente. Já o islã, embora encontre dificuldades, nunca foi derrotado.

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *