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Ameaça ambiental

Assassinatos de ambientalistas ameaçam reputação da Costa Rica

A imagem de país ecologicamente correto está em risco, principalmente, depois do caso da morte do ativista Jairo Mora

Assassinatos de ambientalistas ameaçam reputação da Costa Rica
As tartarugas foram empurradas para a beira da extinção pelo comércio ilegal (Reprodução/Internet)

Caçadores de ovos de tartarugas vêm ameaçando ambientalistas que tentam proteger os répteis na Costa Rica. Apesar da lista de crimes ser extensa, os suspeitos continuam a sair impunes. Enquanto isso, as tartarugas, que começaram a chegar agora para fazer seus ninhos na areia, seguem completamente desprotegidas.

No litoral caribenho da Costa Rica, dúzias de tartarugas emergem do mar e arrastam-se duramente até a costa, na praia de Moín. Toda noite, durante a temporada de nidificação (quando os animais constroem seus ninhos), de março a julho, elas colocam dezenas de ovos em buracos na areia. Cada tartaruga pode colocar até 80 ovos, mas somente uma parte se mantém segura nos ninhos. A maioria é saqueada por caçadores que os vendem no mercado negro como afrodisíacos. É um comércio lucrativo para os caçadores, mas desastroso para as tartarugas, que foram levadas à beira da extinção pelo comércio ilegal.

Nos últimos anos, ambientalistas se juntaram numa corrida para encontrar os ovos, que seriam novamentes enterrados em locais seguros. Mas os caçadores, frustrados, logo começaram a atacar os ambientalistas como forma de retaliação. Em maio de 2013, o conflito culminou no assassinato do ativista Jairo Mora, de 26 anos de idade. Sequestrado ao coletar ovos de tartaruga, Mora foi espancado e arrastado atrás de um carro até morrer de asfixia na areia. Sete supostos caçadores foram acusados pelo assassinato, mas todos foram absolvidos. Grupos de conservação, assustados com o assassinato e com a falta de justiça no caso, não voltaram a recolher ovos na praia de Moín.

O assassinato brutal de Mora chamou a atenção da mídia internacional e fez dele um nome conhecido na Costa Rica. Mas poucas pessoas fora da comunidade ambiental sabem que este caso faz parte de uma lista crescente de crimes contra ambientalistas na Costa Rica. Desde 1989, o assassinato de dez ambientalistas continua sem solução. Essa impunidade manchou a imagem da Costa Rica no exterior como um “país verde”, assustando voluntários estrangeiros e prejudicando o turismo. Agora os grupos ambientais e de direitos humanos pedem reformas para enfrentar os perigos que esses ambientalistas sofrem na fronteira do país.

A falta de condenações nestes casos reflete um padrão mundial de impunidade de crimes contra ambientalistas. Um estudo de 2014, feito pela ONG Global Witness, mostrou que, entre 2002 e 2013, 908 ambientalistas foram mortos. Na publicação do relatório, apenas 32 dos casos teve um suspeito principal, e apenas seis resultaram em condenações. Este problema crescente é especialmente grave na América Latina, e é ainda mais chocante na Costa Rica, por conta de sua reputação de pólo turístico ecologicamente correto.

 

Fontes:
The Guardian-Conservationist murders threaten Costa Rica's eco-friendly reputation

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