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GUERRA CIVIL NO IÊMEN

Ataque a ônibus escolar deixa dezenas de feridos no Iêmen

Ônibus trafegava por um mercado na província de Saada, quando foi atingido pela coalizão saudita, deixando pelo menos 43 mortos e 61 feridos

Ataque a ônibus escolar deixa dezenas de feridos no Iêmen
A maioria das vítimas tinha menos de 10 anos de idade (Foto: Al Masirah)

Dezenas de civis, a maioria crianças, morreram e outras dezenas ficaram feridos após um ataque aéreo atingir um ônibus escolar no Iêmen. O bombardeio foi feito pela coalizão saudita, que trava uma guerra contra rebeldes da etnia houthi no país.

O ataque ocorreu na manhã desta quinta-feira, 9, quando o ônibus trafegava por um movimentado mercado em Dahyan, uma cidade da província de Saada, que fica no norte do Iêmen e é controlada por rebeldes. Em entrevista à Reuters, o chefe do Departamento de Saúde de Saada, Ghani Nayeb, informou que, até o momento, foram contabilizados 43 mortos e 61 feridos.

Em sua conta no Twitter, o chefe da delegação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (ICRC, na sigla em inglês) para o Iêmen, Johannes Bruwer, destacou que a maioria das vítimas tinha menos de 10 anos e que a organização está enviando suprimentos aos hospitais da região para auxiliar no tratamento dos feridos.

A coalizão saudita emitiu uma nota oficial confirmando ter realizado o ataque, mas disse que tinha como alvo “lançadores de mísseis” e que o bombardeiro aéreo “estava em conformidade com as leis internacionais e de direitos humanos”.

No entanto, em entrevista à rede Al Jazeera, o jornalista iemenita Nasser Arrabyee, que atua na capital Saná, disse que não havia nenhum rebelde houthi na região no momento do ataque. “O lugar é conhecido como um mercado e não há nenhuma instalação militar nas redondezas. Mas os sauditas são conhecidos por fazer isso em muitas ocasiões – alvejando escolas, casamentos e por aí em diante”, disse Arrabyee.

Segundo o jornalista, a probabilidade de o número de mortos subir é alta. “É difícil tratar um número tão alto de feridos em Saná [a capital], quanto mais em Saada, que é muito remota e primitiva. Isso torna a situação ainda pior, com muitos feridos provavelmente morrendo porque não há tratamento, não há medicamentos”, disse o jornalista.

A declaração do jornalista está em conformidade com um recente ataque, ocorrido na semana passada, na cidade portuária de Hodeida. O ataque, que deixou 55 mortos e 124 feridos, tinha como alvo o hospital público Thawra e um movimentado porto pesqueiro.

“O porto e o mercado estavam cheios de pessoas. Foi um massacre. Não havia presença militar na área. Não havia homens armados nas redondezas. O objetivo [da coalizão] era espalhar o medo e o terror”, disse, na ocasião, Mohamed al-Hasni, líder do sindicato de pescadores de Hodeida.

A guerra civil no Iêmen teve início em 2015, e já ceifou mais de 10 mil vidas civis. O conflito agravou a crise de fome que afeta o Iêmen, e, segundo a rede Al Jazeera, estima-se que mais de 100 mil crianças já morreram devido à fome extrema e inanição.

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