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GUERRA CIVIL NO IÊMEN

Ataque em Hodeida deixa 55 mortos e 124 feridos

Segundo informações locais, ataque aéreo da coalizão saudita tinha como alvo um hospital público da cidade e um movimentado porto pesqueiro

Ataque em Hodeida deixa 55 mortos e 124 feridos
Coalizão saudita disputa o controle da cidade com rebeldes houthis (Foto: Twitter/antiwar)

Pelo menos 55 pessoas morreram e 124 ficaram feridas em um ataque aéreo da coalizão saudita à cidade portuária de Hodeida, no Iêmen.

A coalizão trava um embate para retomar o controle da cidade, atualmente um bastião de rebeldes da etnia houthi, que luta para derrubar o governo iemenita, um aliado da Arábia Saudita.

Em comunicado, o Ministério da Saúde Pública e População da gestão houthi, afirmou que o ataque tinha como alvo o hospital público Thawra e um movimentado porto pesqueiro.

O ministro Taha al-Mutawakil afirmou que equipes locais encontram dificuldades para identificar o número real de vítimas e que muitos feridos não estão sendo transportados para a capital Saná ou outras províncias próximas por temor de que as ambulâncias sejam atacadas durante o trajeto.

A afirmação de Mutawakil foi reforçada por Mohamed al-Hasni, líder do sindicato de pescadores de Hodeida. Em entrevista à rede Al JAzeera, Hasni disse que o ataque contra o porto pesqueiro era inesperado.

“O porto e o mercado estavam cheios de pessoas. Foi um massacre. Não havia presença militar na área. Não havia homens armados nas redondezas. O objetivo [da coalizão] era espalhar o medo e o terror”, disse Hasni.

O controle da cidade de Hodeida é um dos pontos críticos no embate entre rebeldes e a coalizão saudita. Isso porque cerca de 90% de toda comida, combustível e medicamentos consumidos no Iêmen é proveniente de importação. E o porto de Hodeida recebe 70% de todos os fornecimentos. Logo, o controle do porto é uma questão crucial na guerra civil no Iêmen. Desde 2014, a cidade se encontra sobre controle rebelde. No fogo cruzado entre coalizão e rebeldes estão cerca de 600 mil residentes de Hodeida e seu entorno.

A guerra civil no Iêmen teve início em 2015, e já ceifou mais de 10 mil vidas civis. O conflito agravou a crise de fome que afeta o Iêmen, e, segundo a rede Al Jazeera, estima-se que mais de 100 mil crianças já morreram devido à fome extrema e inanição.

O estopim da guerra civil no país foi um projeto de reforma na Constituição apresentado em 2015 pelo governo iemenita. O projeto despertou indignação na população de etnia houthi. Dentre outros pontos, eles se queixavam de que a nova Constituição os empurrava para uma região escassa de recursos e sem saída para o mar.

A coalizão saudita é composta por tropas da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e do Sudão, e tem o apoio dos Estados Unidos. Já os rebeldes houthis, são apoiados pelo Irã, rival regional da Arábia Saudita no Oriente Médio.

 

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