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ITÁLIA

Ataque a tiros deixa seis africanos feridos na Itália

Quatro estão internados em estado grave; suspeita é que crime tenha motivação racial

Ataque a tiros deixa seis africanos feridos na Itália
Luca Traini, de 28 anos, também disparou contra escritórios do Partido Democrata (Foto: Reprodução/Reuters)

Seis imigrantes africanos, sendo cinco homens e uma mulher, foram feridos depois de serem atacados a tiros em Macerata, na Itália. Segundo as autoridades, o ataque foi feito pelo italiano Luca Traini, de 28 anos, que circulava em seu carro quando realizou os disparos no último sábado, 3. Quatro dos feridos se encontram em estado grave.

No momento da prisão de Traini, o italiano, que confessou o crime, fez uma saudação nazista ao sair do carro, em Piazza Vittoria, no centro da cidade, e carregava uma bandeira da Itália em suas costas. Dentro do veículo, os policiais encontraram uma pistola. A principal suspeita é que o crime tenha motivação racial.

Durante o disparo contra os africanos, o prefeito de Macerata, Romano Carancini, solicitou que os cidadãos da cidade, que conta com aproximadamente 43 mil habitantes, permanecessem em suas residências. “Por razões de segurança, todos os alunos permanecerão na escola e os ônibus de transporte público vão parar”, alertou através do Twitter.

Luca Traini também disparou tiros contra escritórios do Partido Democrata (PD), de centro-esquerda, mas não feriu ninguém. Traini foi candidato às eleições administrativas em 2017, fazendo parte do partido de extrema-direita Liga Norte – que se posiciona contra imigração e anti-europeu. No entanto, o italiano não conseguiu se eleger.

Crime bárbaro

Na última semana, a cidade de Macerata foi palco de um terrível crime, quando o corpo da jovem italiana Pamela Mastroprieto, de 18 anos, foi encontrado desmembrado dentro de duas malas. O principal suspeito pelo crime é o nigeriano Innocent Oseghale, de 29 anos, que teria sido visto carregando as malas, além de marcas de sangue terem sido encontradas em sua roupa e em uma faca.

Em 2017, Oseghale havia solicitado asilo ao governo italiano, mas não foi atendido. Mesmo assim, o nigeriano permaneceu no país.

O crime motivou os movimentos de direita e nacionalistas, que se motivam para as próximas eleições nacionais, que ocorrem no dia 4 de março, propagando mensagens anti-imigração. Nos últimos quatro anos, mais de 600 mil imigrantes, sendo a maioria de origem africana, chegaram a Itália. Caso vença o pleito nacional, o bloco de centro-direita prometeu expulsões em massa de imigrantes que não tenham direito a asilo.

“O que este verme está fazendo na Itália? A esquerda tem sangue em sua mão”, afirmou o líder da Liga Norte, Matteo Salvini, atribuindo a morte da jovem italiana ao governo.

A presidente da Câmara dos Deputados da Itália, Laura Boldrini, destacou que o crime ocorrido em Macerata demonstra que “incitar o ódio e o fascismo tem consequências”.

O primeiro-ministro da Itália, Paolo Gentiloni, optou por um discurso de união, afirmando que as autoridades italianas vão coibir qualquer atitude que promova a violência contra qualquer pessoa. “Vamos parar esse risco. Vamos parar de imediato. Vamos parar isso juntos. O ódio e a violência não serão capazes de nos dividir”.

Fontes:
Reuters - Italian man held after driving through city shooting at black people
O Globo - Seis imigrantes de origem africana são feridos em ataque na Itália

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