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Guerra ao Terror

Ataques aéreos dos EUA contra o ISIS teriam matado mais de 450 civis

A coalização, liderada pelos Estados Unidos, reconhece apenas duas mortes de não combatentes, mas jornalistas independentes contestam

Ataques aéreos dos EUA contra o ISIS teriam matado mais de 450 civis
Ataque liderado pela coalizão em 2014. O líder do Centcom afirmou que a campanha foi a mais precisa e disciplinada da história (Foto: Edlib News Network ENN)

Os ataques aéreos contra o Estado Islâmico (Isis) no Iraque e na Síria mataram 459 civis, sendo 100 deles crianças. Os dados são de um relatório elaborado pelo Airways, um projeto de um grupo de jornalistas independentes que tem como objetivo divulgar informações de 52 ataques. Apesar disso, a coalizão liderada pelos Estados Unidos reconhece, até o momento, apenas duas mortes de não combatentes.

Mais de 5700 bombardeios foram lançados contra as cidades dominadas pelos jihadistas desde o início da campanha, que irá completar o primeiro aniversário no próximo sábado, 8, com seu impacto sobre os civis ainda desconhecido.

De acordo com os dados do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), órgão que lidera a campanha contra o grupo terrorista, uma investigação oficial encontrou apenas um relatório, feito em maio deste ano, com a informação de que duas crianças morreram durante um bombardeio na Síria, em novembro de 2014.

O líder da coalizão, Tenente-General John Hestermanm, disse que a campanha é “a mais precisa e disciplinada da história da força aérea americana”. Desde maio, o Centcom conduziu investigações em mais de três ataques. Segundo elas, as acusações de mortes de civis são “infundadas”. O órgão disse a Airways que só publicará relatórios que tenham “preponderância de evidências” de mortes de civis. Acredita-se que seis outros incidentes estão sendo examinados.

Jornalistas discordam de dados oficiais

Porém, o líder da Airways, Chris Woods, discorda da versão do Centcom. “A ênfase na precisão, na nossa visão, não está sendo corroborada pelos fatos em terra”, disse ele ao Guardian. Um membro do Centro de Conflito para Civis, Sahr Muhamadally, acredita que as apurações precisam ser ampliadas. “Todas as alegações de danos civis, incluindo a partir de fontes abertas, devem ser estudadas pela coalizão e agentes devem estar no local para reconhecer e ajudar os que foram prejudicados”.

Durante seis meses, a Airways examinou 118 ataques e identificou a “necessidade de urgente investigação” em 52 deles. A organização acredita que há indícios fortes de mortes de não combatentes, de acordo com múltiplas e confiáveis fontes. Foram utilizadas reportagens em árabe e inglês, postagens em redes sociais, incluindo fotos e vídeos, e dados de monitoramento dos grupos em terra.

Fontes:
Guardian-Hundreds of civilians killed in US-led air strikes on Isis targets – report

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