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Ataques em Paris preocupam a comunidade judaica

Muitos judeus franceses estão se perguntando se terão algum futuro na França, lar da maior população judaica da Europa

Ataques em Paris preocupam a comunidade judaica
No ano passado, cerca de 7 mil judeus trocaram a França por Israel (Reprodução/Jeff J Mitchell/Getty)

Antes de Chérif Kouachi entrar na redação do Charlie Hebdo na última quarta-feira, 7, com seu irmão Said para assassinar jornalistas e cartunistas que estavam fazendo a reunião de pauta do semanário, ele teve um “sonho”. Kouachi queria, “queimar sinagogas”, “vandalizar lojas judicas em Paris” e “aterrorizar judeus”. De acordo com um editorial publicado esta semana no New York Times, esse “sonho” também era compartilhado por Amedy Coulibaly, atirador que matou quatro judeus pessoas em um mercado de comida judaica em Paris.

Os terroristas esperavam que o assassinato dos judeus e dos cartunistas do Charlie Hebdo fossem desencadear uma espiral de ódio e medo na França. Não é de se estranhar que sentimentos de insegurança e isolamento entre a comunidade judaica do país tenham voltado, e que alguns judeus franceses estejam se perguntando se vão ter algum futuro na França, lar da maior população judaica da Europa. Muitos já trocaram a França por Israel, para onde foram cerca de 7 mil no ano passado, e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, que participou da marcha em Paris no último domingo, 11, estimulou mais judeus a fazerem isso.

O governo francês, no entanto, tomou medidas para proteger a comunidade judaica do país. O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, prometeu que os judeus franceses teriam proteção do governo em seus locais de culto. Cerca de 4.700 policiais iriam proteger escolas e sinagogas judaicas. Na manhã desta quarta-feira, 14, o polêmico humorista francês Dieudonné M’bala M’bala, conhecido por fazer piadas antissemitas, foi preso por incitar ações terroristas. M’bala chegou a elogiar o terrorista Coulibaly pelo ataque ao mercado de comida judaica.

As ações reforçam a frase dita por Valls no último sábado, 10: “A França sem judeus não é a França”. Claude Lanzmann, cineasta francês conhecido por seu documentário de 1985 sobre o Holocausto, “Shoah”, expressa o sentimento de Valls, em termos ainda mais gritantes em um texto para o Le Monde da última segunda-feira, ao escrever: “Não deixemos Hitler ter esta vitória póstuma”. Essa também foi a mensagem passada por cerca de 4 milhões de pessoas de todos os credos e origens, que marcharam nas cidades francesas no domingo. Muito carregaram placas com a famosa frase “Je suis Charlie” (“Eu sou Charlie”). Mas alguns levaram outra mensagem de solidariedade: “Je suis Juif” (“Eu sou judeu”).

 

Fontes:
The New York Times-‘France Without Jews Is Not France’
G1-Polêmico humorista francês é detido após comentário sobre 'Charlie Hebdo'

1 Opinião

  1. olbe disse:

    Aqui está o que aconteceu, o ano passado , com os judeus franceses.

    26 de janeiro de 2014: imagens de vídeo capta manifestantes anti-governo gritando “Juif, n’est pas la France a toi” – “judeu, a França não é seu” -pelo uma manifestação em Paris.

    02 de marco de 2014: Um homem judeu é atacado “. judeu, nós estamos indo para colocar em você, você não tem nenhum país” no Metro de Paris , assaltantes que teriam dito.

    3 de março de 2014: Judeus da França exigem a eleição do novo rabino-chefe (o posto havia sido preenchido por dois rabinos-chefe interino desde abril de 2013),

    em uma carta que cita a necessidade de um líder “para expressar a voz do judaísmo durante o difícil período que estamos vivendo. ”

    10 de março de 2014: Um homem israelense é atacado com uma arma de choque no bairro de Marais.

    20 março de 2014: Um professor judeu é atacado deixando um restaurante kosher em Paris.Depois de quebrar seu nariz, os assaltantes desenhou uma suástica, com uma faca,

    em seu peito.(eu vi o video)

    03 de abril de 2014: um tribunal francês multa um marroquino de 28 anos em $ 4130 pela publicação de fotos on-line de si mesmo dando o querele saudação nazista

    em frente a Grande Sinagoga em Bordeaux.

    15 de maio de 2014: Uma mulher judia foi atacada em um ponto de ônibus no bairro de Montmartre de Paris, por um homem que sacudiu a carrinho de bebê e disse:

    “judia suja, o suficiente já com seus filhos, você judeus têm muitos filhos, vá se ferrar. ”

    19 maio, 2014: Uma pesquisa com 3833 judeus franceses revela 74 por cento consideraram positiva a idéia de emigrar para Israel..

    09 de junho de 2014: Dois adolescentes judeus e seu avô são perseguidos por um homem empunhando machado e três cúmplicesquando iam a sua sinagoga

    no subúrbio parisiense de Romainville em Shavuot.

    10 junho de 2014: Um adolescente judeu vestindo um solidéu e tsitsit é atacado com uma Taser por grupo de adolescentes na Praça Paris ‘Place de la République

    Em Sarcelles, dois adolescentes judeus vestindo yarmulkes são pulverizadas com bombas de gás lacrimogêneo .

    23 de junho de 2014: o rabino Haim Korsia é eleito rabino-chefe da França.

    24 de junho de 2014: Um tribunal francês finalmente faz uma ação judicial contra Dieudonné M’Bala M’Bala,ele fez um vídeo dizendo que o Holocausto

    não constituem um discurso de ódio. (Na Europa leis e discursos de ódio e a negação do Holocausto, bem como “racial ou religiosa expressão discriminatória” é crime.)

    10 julho de 2014: A menina judia de 17 anos de idade, é banhada em spray de pimenta na praça na Place du Colonel Fabien-Paris.

    14 de julho de 2014: as celebrações do Dia da Bastilha em Paris se tornaram violentas. Manifestantes anti-Israel atacaram a sinagoga Don Isaac Abravanel na Rue de la Roquette,

    e seus fiéis .

    16 de julho de 2014: Mais de 400 judeus emigrados franceses chegam em Israel , a maioria deles jovenscom suas famíliasvindos dos subúrbios de Paris .

    23 jul 2014: primeiro-ministro francês Manuel Valls denuncia anti-sionismo como anti-semitismo. “Anti-semitismo, esta doença Europeia velha”, ele disse em um discurso, tomou “uma nova forma. Ele se espalha na internet, nos nossos bairros populares, com uma juventude que perdeu os seus pontos de referência, não tem consciência da história, e que se esconde por trás de um anti-sionismo falso. ”

    14 de agosto de 2014: O Centro Simon Wiesenthal pede que uma pequena aldeia ao sul de Paris conhecida como La-Mort-aux-Juifs’Death aos Jews’- desde o século 11

    devia mudar de nome.

    2 de setembro de 2014: Dois adolescentes franceses são presos por conspirar para explodir uma sinagoga em Lyon. A Direcção Central de fonte Homeland Intelligence disse

    que os adolescentes eram “parte de uma rede de jovens islâmicos que estavam sendo monitoradas pelos serviços de segurança.”

    12 de setembro de 2014: grupo de vigilância anti-semita francês PECJ relata 527 incidentes anti-semitas de 1 janeiro – 31 julho de 2014. Houve 423 incidentes relatados em

    todo o 2013.

    23 de outubro de 2014: líder judeu francês Roger Cukierman é indiciado por referir se a Dieudonné como um “anti-semita profissional” durante uma aparição na televisão.

    05 de novembro de 2014: Incendiário responsável por atear fogo a um supermercado kosher durante 20 jul em Sarcelles é condenado a quatro anos de prisão.

    12 nov 2014: Em uma nova onda de incidentes anti-semitas em Paris, um restaurante kosher é bombardeado, e um estudante judeu vestindo um solidéu é assaltado fora

    de sua escola particular.

    21 de novembro de 2014: O ministro do Interior da França, Bernard Cazeneuve expressa seu apoio para a comunidade judaica. “Toda vez que você sente a violência exercida contra você, quando você está com medo por seus filhos, quando você está preocupado com a violência crescente, lembrem-se que a república protege você e um Ministro do Interior que o ama e que é seu amigo,” Cazeneuve diz em um evento patrocinado pela J Station, uma estação de rádio judaico.

    2 de dezembro de 2014: França vota para reconhecer a Palestina como um Estado, que a embaixada de Israel em Paris diz que envia “a mensagem errada para os líderes e pessoas na região.”

    31 de dezembro de 2014: França afirma que ela é o país a partir do qual o maior número de judeus imigraram para Israel em 2014. Quase 7.000 judeus franceses imigrou para Israel, o dobro dos 3400 de 2013.

    ..e agora este massacre feito pelos terroristas…

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