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TRAGÉDIA EM MOGADÍSCIO

Atentado estimula senso de união na Somália

O maior ataque da história da Somália deu origem a um renovado senso de união entre os cidadãos do país

Atentado estimula senso de união na Somália
Nas redes sociais, cidadãos lembram que as vítimas nãos são apenas um número (Foto: Twitter)

Ibrahim Adow é um jovem somali de 24 anos que trabalhava no escritório do presidente Mohamed Abdullahi Mohamed. Há sete dias, ele viu sua vida mudar completamente, após um caminhão-bomba explodir em um bairro comercial da capital Mogadíscio, deixando mais de 300 mortos, 200 feridos e cerca de 100 desaparecidos.

Desde então, Adow, afetado pela raiva e a frustração gerados pelo ataque, não consegue dormir nem se alimentar bem. Enquanto famílias desesperadas procuravam entes desaparecidos em meio aos escombros, Adow tomou uma decisão que mudou sua vida: deixou o serviço público para se alistar nas Forças Armadas da Somália para ajudar a defender seu país da ameaça terrorista.

“Tomei a decisão de ir às armas pra defender meu país e meu povo. Não há razão para ficar em casa esperando ser morto de uma maneira tão brutal”, disse Adow, em entrevista por telefone ao site americano Quartz.

Adow não é o único a reagir desta maneira. Desde o ataque, que vem sendo chamado de 11 de setembro da Somália. A magnitude do ataque parece ter causado impacto em todos, mesmo entre os mais velhos que vivenciaram o longo histórico de conflitos e violência no país. “Todos os lares de Mogadíscio foram afetados. Nossos corações não podem aceitar o que aconteceu”, diz a fotógrafa Zahra Qorane.

A raiva coletiva em relação ao ataque fez nascer um renovado senso de união entre os somalis, com protestos em grandes cidades e atos de solidariedade. E os atos de empatia ultrapassaram as fronteiras. Países como Turquia, Djibouti e Quênia enviaram médicos, medicamentos e aviões para ajudar a transportar os mais gravemente feridos. Na França, a torre Eiffel apagou as luzes em luto pela tragédia. Países membros da União Africana e de outras partes do mundo expressaram apoio ao governo somali e se disponibilizaram a enviar forças para combater o terrorismo.

Nas redes sociais, cidadãos somalis postam fotos das vítimas que ajudam a mostrar que elas não são apenas números fatais da tragédia: eram profissionais e estudantes que deixaram famílias, amigos e sonhos.  Maryan Abdullahi se formaria em medicina esta semana; Abdiqadir Ali era um motorista de táxi que estava a caminho de um hotel para buscar um passageiro; Ahmed Abdikarin Eyow era um, ativista comunitário proveniente de Bloomington, EUA, que estava visitando o país; e  Habib Hassan, que casou recentemente ainda está entre os desaparecidos.

Diante de uma tragédia tão sombria, muitos somalis se mostram determinados a fazer do episódio um momento de força, reconstrução e, principalmente, esperança. Um deles é Mohamed Bashir. Quando a explosão ocorreu, as janelas de sua agência de criação estilhaçaram. “Ficamos com muita raiva, mas não sabíamos de quem”, disse Bashir, que decidiu direcionar sua energia ao voluntariado oferecendo os serviços de sua agência para gerencias as mídias de comunicação da Aamin Ambulance, o único serviço de ambulâncias gratuito do país.

Enquanto o país busca se recuperar da tragédia, Adow nutre a esperança de que o evento estimule a Somália a buscar um futuro melhor. “Se esse evento não unir o povo somali e unir a juventude, acho que nada mais nos acordará dessa letargia”, disse Adow.

Fontes:
Quartz-How Somalia’s deadliest attack ever tore open the heart of a nation

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