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Combate às Drogas

Aumenta o número de mulheres viciadas em heroína nos EUA

A grande reincidência do vício das drogas nos Estados Unidos: uma antiga doença atormenta uma nova geração

Aumenta o número de mulheres viciadas em heroína nos EUA
Americanos usáruios de heroína estão mudando de perfil, a droga passou a afetar mulheres e donas de casa (Foto: Reprodução/Economist)

O perfil dos usuários de heroína nos Estados Unidos mudou radicalmente. Há quarenta ou cinquenta anos os usuários de heroína eram em geral homens negros e muito jovens (com uma idade média de 16 anos na primeira experiência). A maioria vivia nas periferias pobres da cidade. Hoje, os usuários parecem mais uma dona de casa de um subúrbio de classe média.

Mais da metade de viciados em heroína são mulheres, com a predominância de 90% de mulheres brancas. A droga invadiu os subúrbios e a classe média. E apesar de os usuários serem em geral jovens, a idade do início do uso da droga aumentou para 20 e poucos anos, de acordo com um estudo realizado por Theodore Cicero da Universidade Washington em St. Louis.

O consumo de heroína em um novo mercado de pessoas moradoras dos subúrbios das cidades e com um relativo poder aquisitivo, resultou no retorno da droga depois de décadas de declínio. Nos últimos seis anos o número de usuários anuais quase duplicou, de 370 mil em 2007 para 680 mil em 2013. A heroína ainda é uma droga rara comparada à maioria das outras drogas: por exemplo, a maconha, a droga preferida pelos americanos (ainda na maioria ilegal), tem quase cinquenta vezes mais usuários.

Mas a reincidência da heroína significa que, de certa forma, é uma droga mais popular do que o crack, um fenômeno assustador nas décadas de 1980 e 1990. A crescente popularidade nos EUA é um contraste marcante com a Europa, onde o número de usuários caiu para um terço na última década. O que explica o aumento do uso da heroína nos Estados Unidos?

A maioria da nova geração de usuários nos Estados Unidos não tem a intenção de abandonar o vício. Primeiro, se viciam em opiáceos receitados por médicos para dores crônicas. Em alguns estados o número anual de receitas de opiáceos superou o número de pessoas. Essas receitas alimentam o mercado negro: no ano passado 11 milhões de americanos compraram receitas de analgésicos ilicitamente, mais do que o número de usuários de cocaína, ecstasy, metanfetamina e LSD. Em 2012 as receitas de analgésicos foram responsáveis por 16 mil mortes por overdose nos Estados Unidos, em uma proporção de quatro para dez de casos fatais.

Em razão da diminuição do suprimento de analgésicos e do aumento do preço no mercado negro, muitos viciados começaram a usar heroína para satisfazer sua dependência com um custo muito menor.

Fontes:
Economist-The great American relapse

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