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RELATÓRIO

Austrália expõe abuso sexual infantil em instituições católicas

Relatório expõe conivência da Igreja Católica em décadas de abuso e lista recomendações para que a situação nunca mais se repita

Austrália expõe abuso sexual infantil em instituições católicas
Uma das recomendações da comissão é o fim do celibato na Igreja Católica (Foto: Pixabay)

Nesta sexta-feira, 15, a Austrália divulgou um relatório que revela décadas de abuso sexual infantil em escolas, organizações e instituições religiosas que atuam no país. Das vítimas, 62% disseram que foram abusadas em locais católicos. O relatório identificou vítimas e suspeitos, além de listar 189 recomendações para que ações do tipo nunca mais se repitam.

Em 2012, a então primeira-ministra Julia Gillard pediu que fosse criado uma comissão real para investigar os casos de abuso sexual infantil no país. Uma comissão real é a mais alta forma de investigação na Austrália. Pedidos anteriores enfrentaram bastante resistência, apesar de inúmeras denúncias. Até agora, a Austrália é o único país a realizar um inquérito do tipo liderado pelo governo. O inquérito custou US$ 286 milhões aos cofres públicos. Mais de 4 mil instituições foram acusadas de abuso. O governo identificou 4.444 vítimas e pelo menos 1.880 suspeitos de casos que ocorreram entre 1980 e 2015.

O atual primeiro-ministro, Malcom Turnbull, disse que todos os australianos devem ler o relatório. Ele também agradeceu a coragem das vítimas e de suas famílias por compartilharem as histórias devastadoras. Segundo o presidente da comissão, o juiz Peter McClellan, a comissão ouviu mais de mil testemunhas em quase 15 meses por conta da magnitude dos abusos.

“Nosso inquérito revelou vários casos onde líderes religiosos sabiam das acusações de abuso sexual infantil, mas falharam ao não tomar uma atitude, geralmente com catastróficas consequências para as crianças”, diz o relatório. O arcebispo de Melbourne, Denis Hart, pediu desculpas pelo sofrimento causado e garantiu justiça a todos os afetados.

Várias revelações estão centradas na cidade de Ballarat, cidade do cardeal George Pell, chefe de Finanças do Vaticano. Na cidade, a polícia investigou um esquema de pedofilia em escolas católicas. A polícia também disse que 30 vítimas cometeram suicídio. Em junho, o cardeal George Pell se tornou a mais alta autoridade do Vaticano a ser acusada formalmente por abuso sexuais. Ele é considerado o “número 3” da Santa Sé e nega as acusações.

Recomendações

Entre as recomendações do relatório está a criação de um Escritório Nacional pela Segurança Infantil, além de penalidades para aqueles que não alertarem as autoridades policiais sobre suspeitas de abusos. A comissão também pede que a liderança australiana da Igreja Católica Romana pressione Roma a acabar com o celibato obrigatório dos padres.

A comissão pede por leis que penalizem aqueles que não denunciam adultos suspeitos de estarem abusando de crianças ou que já tenham feito isso. Neste ponto, entra-se em uma questão sensível da Igreja Católica, já que a recomendação também serve para o que é dito dentro do confessionário. As autoridades da igreja, no entanto, argumentam que a confidencialidade faz parte do ritual. “Eu me sentiria num terrível dilema […], mas não posso quebrar o pacto. A pena para qualquer padre que quebre o sigilo é a excomunhão”, disse o arcebispo Hart.

A comissão também recomendou que a Conferência dos Bispos Católicos Australianos pressione Roma a “considerar o celibato voluntário”, argumentando que o celibato obrigatório contribui para que os padres cometam abuso infantil.

A ex-primeira-ministra disse que os australianos ficaram chocados não só com os abusos, mas como os casos foram sistematicamente encobertos. “Nunca mais podemos ser ingênuos em relação à profundidade e à amplitude deste problema”, disse Gillard.

Fontes:
The New York Times-Australia and Catholic Church ‘Failed’ Abused Children, Inquiry Finds

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1 Opinião

  1. Rene Luiz Hirschmann disse:

    Esse é o retrato das religiões no Mundo, coitado daquele que necessita de um supervisor para ser humano e moral, o bem esta dentro de cada um de nós não há necessidade de termos falsos intermediários para regrar nossas vidas, ou você quer ser e tem convicções de humanidade ou não.

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