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TEMA POLÊMICO

Austrália faz consulta por correio sobre casamento gay

A Austrália iniciou uma consulta sobre casamento gay, um tema polêmico entre os partidos conservadores

Austrália faz consulta por correio sobre casamento gay
As manifestações pró e contra agitam o país (Fonte: Reprodução/AFP)

Em 12 de setembro, os australianos começaram a receber pelo correio uma pesquisa com a seguinte pergunta: “A lei deveria mudar para permitir que casais do mesmo sexo se casem?” Os 16 milhões de eleitores registrados têm duas opções de resposta, “sim” e “não”. A pesquisa deverá ser devolvida até o início de novembro e o resultado será anunciado no dia 15 do mesmo mês. As manifestações pró e contra agitam o país. No início deste mês, 30 mil defensores do casamento gay reuniram-se em frente à prefeitura de Sydney, com cartazes nos quais se lia, “It’s a love story baby, just say Yes”.

O primeiro-ministro, Malcolm Turnbull, apoia o “sim”. Mas muitos australianos criticaram sua iniciativa de realizar a consulta por correio. As pesquisas de opinião mostram que a maioria dos australianos apoia o casamento gay. O voto no Parlamento, onde a maioria dos parlamentares é a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo, teria economizado dinheiro, dizem os críticos.

Porém, há uma grande divergência em relação ao casamento entre pessoas do mesmo sexo no Partido Liberal, conservador, de Turnbull, e na legenda de coalizão, o Partido Nacional. Em 2004, o primeiro-ministro do Partido Liberal, John Howard, alterou a lei ambígua sobre o casamento definindo-o como “a união exclusiva entre um homem e uma mulher”. O primeiro-ministro do Partido Liberal, Tony Abbott, tentou reverter essa mudança, com a proposta de votação de um plebiscito em 2015. Turnbull, por sua vez, apoiou uma votação parlamentar. Mas para ganhar o apoio de deputados conservadores para sua campanha política há dois anos, ele aceitou a ideia de realizar um plebiscito. No entanto, o Senado, no qual o partido de Turnbull não tem maioria, rejeitou a proposta de realização de um plebiscito. Turnbull, então, decidiu fazer uma consulta por correio.

John Howard e Tony Abbot estão liderando a campanha do “não”. Eles descrevem o casamento gay como o primeiro item de um programa de governo extremamente permissivo. Um cartaz da campanha “não” diz que é apenas uma questão de tempo até que as escolas comecem a encorajar as crianças a se vestirem com roupas do sexo oposto.

Christine Forster, a irmã homossexual de Abbott e membro do conselho municipal de Sydney, acusa o irmão de usar estratégias “maquiavélicas” para lidar com uma questão tão sensível. Segundo Gladys Berejiklian, a primeira-ministra do Partido Liberal de Nova Gales do Sul, o estado mais populoso do país, o casamento gay é um dos temas mais importantes de direitos humanos “de nossa época”. A Austrália “não acompanhou a evolução dos costumes”, disse Frank Bongiorno, da Universidade Nacional da Austrália, porque seus principais partidos políticos “não conseguiram chegar a um consenso sobre um assunto discutido há tanto tempo”.

Apesar do apoio ao “sim” da opinião pública, o método de votação sem precedentes dificulta a previsão do resultado. Mas se o voto “sim” não prevalecer, o Partido Trabalhista Australiano de oposição se comprometeu a legalizar o casamento gay se vencer as próximas eleições em 2019.

Fontes:
The Economist - Australia’s controversial gay marriage vote gets under way

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1 Opinião

  1. Laércio disse:

    Independente das correntes sobre o tema, o Brasil deve começar a fazer um trabalho de pesquisa sobre vários temas usando os correios, assim como estão fazendo na Austrália; pesquisas usando institutos de pesquisas ou tendências de opinião de especialistas são coisas retrógradas as contemporaneidades e não mais dignas de confiança.
    Pensemos em meios de pesquisas, de preferência, propostos pelo povo, para traçar realmente qual o perfil ético de nossa nação, que não conhecemos até hoje devido as manipulações diversas.

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