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Austrália aposta na extração mineral

Aumento na demanda global por carros elétricos faz crescer o interesse do país na exploração de minerais como lítio, cobalto e níquel

Austrália aposta na extração mineral
Minerais são usados na produção de baterias para carros elétricos (Foto: Flickr/fre geo)

A Austrália é rica em recursos naturais. Por mais de 50 anos, a economia australiana manteve-se estável, graças, em grande parte, à demanda chinesa por matérias-primas. Poucos anos após o fim da forte demanda por metais da China, como minério de ferro, novos investimentos estão sendo feitos na produção de minerais como lítio, cobalto e níquel usados na fabricação de baterias para veículos elétricos (EVs) na China.

Ken Brinsden, um engenheiro de mineração australiano, acredita no sucesso desse boom de extração de metais para a fabricação de baterias. Executivo-chefe da Atlas Iron até 2015, uma empresa de exportação de minério de ferro para a China, que em 2011, no auge do superciclo de commodities liderado pela China, atingiu um valor de mercado de A$3,5 bilhões (US$3,8 bilhões), hoje é CEO da empresa Pilbara Minerals, que explora a mina de lítio Pilgangoora, na Austrália Ocidental.

A partir de 2015, a capitalização de mercado da Pilbara Minerals cresceu de A$25 milhões para A$1,5 bilhão, como resultado da produção de lítio extraído das reservas do mineral espodumênio na Austrália. Há pouco tempo, a fabricante chinesa de automóveis Great Wall Motor comprou uma pequena participação na empresa e investiu na exploração da mina de espodumênio. A Altura Mining, outra empresa que atrai o investimento dos especuladores, também está explorando uma mina de lítio em Pilgangoora, com grande parte da produção destinada à China.

A Clean TeQ, cujos principais acionistas são Robert Friedland, um bilionário americano-canadense, e a Pengxin International Mining, uma empresa chinesa, também está envolvida na produção de lítio para a fabricação de baterias. Este ano seu valor de mercado aumentou 240%, atingindo US$838 milhões, devido aos planos de produzir sulfato de níquel e de cobalto para a fabricação de cátodos de íons de lítio.

Na maior parte do mundo, o cobalto é extraído como subproduto do cobre e do níquel, mas há pouco tempo seu preço valorizou mais do que o do níquel, em razão de sua escassez. Segundo a Clean TeQ, com os preços atuais de US$ 27 por libra, em comparação com US$10 por libra em 2016, o cobalto será uma fonte maior de receita da mina em Nova Gales do Sul do que o níquel.

As empresas alegam que oferecem uma fonte mais segura de matérias-primas para fabricantes de baterias chineses do que os concorrentes estrangeiros. Embora o lítio possa ser extraído de forma mais barata da salmoura na América do Sul, os riscos políticos, empresariais e legais são menores na Austrália.

De acordo com Phil Thick, CEO da Tianqi Lithium Australia, a proprietária majoritária da Greenbushes, a maior mina do mundo de lítio situada na Austrália Ocidental, a forte demanda não causará escassez de lítio.  Mas, disse ele, é preciso ampliar a capacidade de processamento. Por esse motivo, a chinesa Tianqi e sua parceira americana, Albermarle, pretendem aumentar a produção de hidróxido de lítio na Austrália Ocidental a fim de exportá-lo para a China.

O maior risco de todos esses projetos é o preço, que depende do investimento em veículos elétricos na indústria automobilística. Embora Brinsden esteja convencido que a China vai “surpreender o mundo” com a fabricação de baterias de íon de lítio em larga escala, ele também diz que os fabricantes de automóveis chineses, como Great Wall e Geely, veem os veículos híbridos como um passo em direção aos EVs, o que significa uma demora na produção de carros elétricos.

Outro risco é a entrada no mercado de gigantes da mineração, como a Rio Tinto. Há pouco tempo, a Rio Tinto demonstrou interesse em fazer uma oferta para a Sociedad Química y Minera (SQM), a maior produtora de lítio do Chile.

Fontes:
The Economist-Australia is the new frontier for battery minerals

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1 Opinião

  1. Carlos U Pozzobon disse:

    A explosão de carros elétricos é uma realidade. Embora ainda sejam muito caros, se comparados aos veículos a combustão, certamente a produção em massa deverá baixar os preços. O Brasil possui 8% das reservas mundiais de lítio, segundo estudo recente limitado as jazidas conhecidas em Minas Gerais, o que não deve ficar nisso, não é mesmo? Notem que a Austrália está bombando em parceria com a China, enquanto que nosso nacionalismo enferrujado morre de temores de que a China se adone de nossa “despensa” na produção de alimentos.

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