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CHINA

Autoridades expulsam migrantes chineses de Pequim

As autoridades em Pequim querem limitar o número de habitantes da cidade e o alvo da repressão brutal recaiu nos migrantes da região rural do país

Autoridades expulsam migrantes chineses de Pequim
Alguns voluntários que criaram abrigos foram obrigados a fechá-los por ordem da polícia (Foto: Flickr)

Em todos os países, um grande fluxo de migrantes provoca protestos da população nativa. Mas na China, os migrantes que são tratados com profunda hostilidade, não são estrangeiros, mas sim chineses da região rural que se mudam para as cidades em busca de melhores oportunidades de trabalho e de qualidade de vida. Em 18 de novembro, um incêndio em um depósito e um bloco de apartamentos em ruínas matou 19 migrantes em Pequim. Agora, com o pretexto de fiscalização por medida de segurança contra incêndios, as autoridades estão expulsando milhares de migrantes de porões, abrigos antiaéreos e barracos onde em geral vivem, com o corte de eletricidade e de abastecimento de água.

Alguns voluntários que criaram abrigos para pessoas que se viram de repente sem moradia em temperaturas abaixo de zero, foram obrigados a fechá-los por ordem da polícia. Com o objetivo de limitar a população de migrantes da região rural, as autoridades em Pequim impõem obstáculos à locação de imóveis, mesmo de moradias pobres e decadentes. Os migrantes só podem comprar uma casa se tiverem um emprego formal, que poucos têm, e documentos de residência, o que é quase impossível de obter.

O governo quer limitar o crescimento das megacidades, como Pequim, em razão da dificuldade em atender uma grande população que precisa de serviços básicos de infraestrutura, como abastecimento de água, manutenção de ruas, atendimento eficiente nos hospitais, entre outros serviços. O governo gastou bilhões de dólares com a construção da rede de abastecimento de água da cidade. Em um projeto ainda mais ambicioso, em abril o governo anunciou planos de construir uma nova cidade a cerca de 100 km de Pequim, onde algumas empresas e universidades serão transferidas. As autoridades de Pequim não querem ter mais de 23 milhões de habitantes em 2020, um número pouco acima dos cerca de 22 milhões atuais, uma meta irrealizável se a cidade abrigar mais migrantes.

O governo tem outra razão importante para controlar o aumento populacional em Pequim. Como capital do país, Pequim precisa ser um exemplo para outras cidades. Qualquer agitação ou protesto em Pequim é visto como uma ameaça ao poder do Partido Comunista. Por esse motivo, a polícia trata com brutalidade os habitantes das áreas mais pobres da cidade que se dirigem para a praça da Paz Celestial, onde, em 1989, um série de manifestações contra o governo resultou na morte de milhares de pessoas.Quem sabe o que poderia acontecer se os migrantes reclamassem dos péssimos salários, dos maus-tratos dos chefes e da hostilidade generalizada?

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