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Banco Mundial em Davos: plano de ação global é receita para crise

Na abertura do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, nesta quarta-feira, 28, especialistas e autoridades defenderam o multilateralismo para o combate à crise, afirmando que um plano de estímulo fiscal global coordenado entre países desenvolvidos e em desenvolvimento é a solução. Na reta contrária dos executivos do mundo todo que estão em pânico com a crise, os brasileiros são um dos menos pessimistas.

A PricewaterhouseCoopers realizou uma pesquisa, mostrando que os executivos mais otimistas são os indianos, entre os quais 70% acreditam na aceleração. Os brasileiros estão em segundo lugar, com 33% dos pesquisados acreditando em crescimento dos ganhos em 2009, 50% mais do que a média global.

Os mais pessimistas são os executivos de países ricos. Cinco por cento dos franceses, 8% dos italianos, 9% dos japoneses, 12% dos britânicos, 13% dos norte-americanos e espanhóis esperam aumento de receita no curto prazo. A pesquisa comprovou que apenas 21% dos executivos estão confiantes que o faturamento aumente nos próximos 12 meses. A confiança dos executivos caiu para o nível mais baixo desde 2003, ano em que a Price iniciou a pesquisa das expectativas dos executivos-chefes das grandes empresas do mundo.

De acordo com o vice-presidente sênior e economista-chefe do Banco Mundial, Justin Yifu Lin, a estratégia deve contemplar um mecanismo de transferência de recursos para os países em desenvolvimento que não têm condições de arcar com medidas desse tipo. O presidente do Dogus Group, da Turquia, Ferit Sahenk, afirmou que a crise vigente é a primeira da história que não foi criada pelos países emergentes, defendendo ações coletivas e afirmando que, se a situação perdurar durante muito tempo, pode resultar em uma crise social. Os turcos foram um dos emergentes mais afetados pela crise global. Sharenk também defendeu que o FMI “precisa ter uma melhor representação do mundo em desenvolvimento”.

Já o presidente do Morgan Stanley para a Ásia, Stephen Roach, concorda que o viés multilateral é o mais apropriado para a solução da crise, mas, segundo ele, a questão é que não há mecanismos para fazer com que os países cumpram as determinações e não há como punir os que “se comportam mal”. Roach vê a necessidade de buscar um mecanismo para precificar os ativos tóxicos, o maior problema enfrentado pelos bancos atualmente.

O diretor do Global Security Research Institute da Keio University, Heizo Takenaka, defendeu que os países não devem se basear somente em pacotes de estímulo e lembrou que os déficits limitam essa decisão. Ele sugeriu, portanto, a adoção de uma política de administração de falências, se opôs à nacionalização de bancos e garantiu que a injeção de capital nas instituições é a melhor política.

Fontes:
Folha Online - Brasileiros estão entre os menos pessimistas com a crise, mostra pesquisa
Estadão - Banco Mundial defende em Davos plano de estímulo fiscal global

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1 Opinião

  1. Manfred Konrad Richter disse:

    Países que agiam unilateralmente e possuem poucos recursos naturais se desesperam neste "aperto" global onde o mundo começa a se tornar uma nação só, de Humanos.
    Países como Brasil que possuem abundância de recursos tendem a ficar mais tranquilos. Óbvio!

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