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Conhecendo a Espanha

Barcelona I

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História

Barcelona, com cerca de 2 milhões de habitantes, é a segunda maior cidade da Espanha. É um importante centro industrial e comercial. Fica perto da fronteira com a França o que faz com que a cidade, bem como a Catalunha, da qual Barcelona é a capital, se sintam menos espanhóis e mais cosmopolitas.

Originalmente colônia de Cartago, chamada Barcino, a região foi ocupada pelos Mouros nos anos 700, mas por pouco tempo. Em 801 o rei francês Carlos Magno (cujo avô dera uma surra nos Mouros em 732 na batalha de Poitiers, interrompendo a invasão da França), expulsou os invasores e estabeleceu uma zona neutra entre a França e a Espanha, criando o condado de Barcelona. Esse condado conseguiu algum tempo depois se tornar independente da França, e assim permaneceu durante uns quinhentos anos.

Situada à mesma distância de Marselha ou Bordeaux do que Madri, Barcelona se uniu à Espanha por conveniência, mas o espírito independente continuou. Barcelona sempre foi um centro de atividades trabalhistas e movimentos separatistas muito fortes. Durante a guerra civil a Catalunha instalou um governo independente e, depois, foi a sede das forças legalistas. Quando Franco venceu, decidiu acabar com esse sentimento de diferença dos Catalões. A língua Catalã foi proibida nas escolas, assim como em qualquer espécie de publicação. Pior para os católicos fervorosos, foram proibidos os sermões em catalão nas missas.

Barcelona era até então capital tanto cultural quanto comercial do país e o governo central passou a dar incentivos para empresas se mudarem para Madri e a esvaziar tudo que se relacionasse com a Catalunha. A migração de habitantes de outras regiões para lá foi encorajada, a tal ponto que provavelmente metade da população de Barcelona hoje é de não-catalães.

A língua catalã é latina, parecida com o espanhol, mas talvez mais com o francês, o italiano e o português.  O mercado das flores aqui é "Mercat des Flors".  Palácio é "palau", pássaro é "ucell", parecido com o italiano "uccello" e não com o espanhol "pájaro". Mulher é "dona", como em italiano, e não "mujer", como em espanhol.

O som do catalão é muito parecido com o dos dialetos do sul da Itália. Dá a impressão de estar ouvindo gente de Nápoles, embora às vezes pareça com o português, e também haja sons árabes. É uma língua mediterrânea. Não esquecer que Nápoles e a Silícia foram possessões da Espanha por muito tempo, conquistadas com participações de Barcelona. Ao mesmo tempo, as ligações comerciais com Portugal eram grandes. Vendo na TV um programa em catalão, de repente ouve-se a frase "San incompetents, idiots", e parece que estamos em Portugal. A semelhança é grande.

Hoje em dia não existem mais pensamentos separatistas, a não ser nas cabeças mais extremistas. O catalão se considera um catalão e não um espanhol, mas acha que o lugar natural da Catalunha é dentro da Espanha, agora que esta lhe deu a liberdade de usar sua língua, e escolher seu governo local.

Barcelona hoje

Apesar de sua fama de grande trabalhador, que só pensa em ganhar dinheiro, como dizem dele os outros espanhóis, o barcelonês é também um grande boêmio. A vida noturna é intensa e existem, como em Madri, boates que começam suas atividades já de madrugada, quando a maioria das outras está fechando.

Barcelona é uma cidade de grandes avenidas, bem arborizadas. As ruas são largas, as praças amplas. Aliás, como disse Petit no seu guia de Barcelona, esta cidade sempre teve um complexo de Paris. Queria ser Paris, ou talvez até melhor que Paris.

Na principal avenida da cidade, "Las Ramblas", a movimentação de pedestres é intensa. "Las Ramblas" é considerada por muita gente uma das ruas mais bonitas e agradáveis do mundo para se passear a pé. Começa junto ao mar, onde está uma estátua de Colombo em cima de uma altíssima coluna (quando chegou à Espanha, de volta da viagem em que descobriu a América, Colombo foi direto para Barcelona, porque o rei e a rainha estavam lá). A avenida vai terra adentro, até a "Plaza de Cataluña".

"Las Ramblas" é um grande canteiro central, ou um grande calçadão para pedestres, dos dois lados do qual existem duas pistas estreitas para carros. Por esse calçadão toda a cidade passeia a pé. Citando mais uma vez Petit, "… é um estado de espírito, é talvez ver a vida passar… Você se senta numa cadeira, sem pagar nada, e fica olhando a vida passar, pretos, brancos, amarelos, suecos, chineses, americanos, soviéticos, lésbicas, gays, crianças, velhos, jovens, punks, carolas, prostitutas, pintores, artistas, marinheiros, pilotos, balconistas, aeromoças, senhores e senhoras, tudo junto, passam, param, tomam aperitivos, compram flores, passarinhos, livros, jornais, brinquedos…".

No meio dessa grande avenida está o "Mercat de Sant Josep", conhecido popularmente como "La Boqueria", onde se vende de tudo para comer, com uma variedade enorme e um colorido que dá de dez a zero nas nossas feiras livres. Andando pelas "Ramblas" você pode também encontrar de repente um punhado de atores fazendo teatro de rua, ou músicos tocando, a qualquer hora do dia ou da noite. Dizem que você pode também encontrar um batedor de carteira. A fama de Barcelona é grande neste aspecto, mas eu não presenciei nenhuma cena de tentativa de assalto aqui, como havia presenciado diversas em Madri.

Uma grande característica dos habitantes de Barcelona é o amor à música.  Uma piada local é que um barcelonês sozinho começa um negócio. Dois fundam uma sociedade anônima. Três formam um grupo de canto coral. O "Gran Teatro del Liceu" é um dos principias centros de ópera na Europa, e lá começaram a carreira, entre outros, cantores como Monserrat Caballé e José Carreras.

O "Palau de la Musica" é uma importante casa de concertos, e um belo exemplar de arquitetura moderna típica de Barcelona.

Uma demonstração do amor à música é a "Sardana", que é uma dança que geralmente acontece aos domingos, nas praças. Uma banda começa a tocar e o povo inicialmente, está só ouvindo. Depois, pouco a pouco, vão se dando as mãos e formando um círculo. A dança é lenta e bonita, e velhos e moços, amigos e estranhos, se juntam enquanto dura a música. Quando esta para, as pessoas se separam lentamente, sem despedidas, e vão cada uma para seu lado.

Uma coisa que chama atenção em relação às outras cidades é que aqui se nota a população mais bem vestida. Há uma consciência da elegância, do vestir bem.

Quando, no final de 1986, Barcelona venceu a competição para sediar as Olimpíadas de 1992, as comemorações foram gerais. À parte o fato de o presidente do Comitê Olímpico Internacional, Juan Antonio Samaranch, ser catalão, o que sem dúvida ajudou, Barcelona merecia essa vitória. Os catalães investiram US$ 6,5 bilhões na modernização da cidade, para aprontá-la para os Jogos Olímpicos.

A Catalunha é a região mais rica da Espanha, contribuindo com perto  de 20% do PIB nacional. Boa parte dessa riqueza foi empregada nas obras, sendo que apenas um quarto do dinheiro foi para construções ligadas diretamente às Olimpíadas. O restante, para centenas de canteiros de obra, que incluem novas avenidas, aeroporto, estação de trem, hotéis, galerias de água e esgoto, mudando totalmente a fisionomia da cidade. Barcelona conseguiu até sanear as águas do mar, e onde o litoral era conhecido pelos locais como "merditerrâneo" o banho de mar voltou a ser um passatempo saudável.

GooglePasseios

Andando a pé na região da "Las Ramblas", você passa perto da parte mais antiga da cidade. O Bairro Gótico ("Barri Gótic") é remanescente da Idade Média, e foi inteiramente preservado. A Catedral, construída entre os séculos XIII e XV, não é tão rica quanto às de Toledo ou Sevilha, mas é muito bonita. No seu lado direito tem uma espécie de jardim interno, com um laguinho cheio de peixes e árvores com passarinhos cantando. Eu nunca tinha visto uma catedral com peixes dentro, e é uma surpresa agradável. A Catedral, como o resto da cidade, fecha para a "siesta" de 13h às 16h.

Saindo da Catedral, vale a pena contorna-la e chegar à "Plaza del Rey", onde está o Museu de História da Cidade. Lá você visita escavações subterrâneas de ruínas dos tempos romanos, que ficam por baixo da cidade atual.

O interessante dessa área é o contraste entre a cidade moderna que está em volta e essa área autenticamente medieval. E essa cidadezinha não é um museu, ou um punhado de ruínas, mas sim está viva, vibrante, com gente morando, vasos de flores e roupas secando na janela. E mais bares, restaurantes, galerias de arte. Juntamente com a Igreja da Sagrada Família, de que falarei mais adiante, é para mim a principal atração de Barcelona.

Uma coisa estranha é a diferença entre este bairro e as cidades medievais semelhantes de Sevilha e Córdoba.  As duas "juderias" têm uma aparência alegre, com as casas pintadas de branco e uma atmosfera clara e arejada. Este Bairro Gótico, mais parecido com a cidade de Toledo, é escuro e triste. As casas são cinzentas, as ruas escuras e lúgubres.

Ainda perto da região antiga da cidade, que merece ser toda percorrida a pé, está o "Passeig" (isso quer dizer "rua", ou "passeio") de "Gràcia". Como diz Petit, é o "Champs Elysées" de lá. É uma bela rua, como casas bonitas e lojas badaladas. Nessa rua estão as casas "Milà" e "Battlló", obras do arquiteto Gaudí. Interessante também é um Museu de Perfume, que contém mais de cinco mil vidros de perfume, alguns do Egito antigo com mais de 4 mil anos. Esse museu fica dentro da loja de perfumes Regia.

Outro ponto de interesse nessa área é o Museu Marítimo que tem uma réplica em tamanho natural de uma galera antiga, além de maquetes de muitos tipos de navios.

Afastando-se do centro, o turista pode fazer belos passeios. A cidade de Barcelona é dominada por duas colinas. O "Tibidabo" é uma delas. Pode-se ir de carro por uma estrada muito bonita, ou de teleférico. A vista lá de cima é linda.

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4 Opiniões

  1. Elísio disse:

    Mas bem capaz que vou colocar meu pés na Espanha! Esse país que generaliza e desrespeita os brasileiros, considerando todo brasileiro um ladrão e brasileira uma vagabunda, não merece nenhuma consideração. Não recomendo para ninguém ir a Espanha!

  2. Francisco Marcio disse:

    Muito bom! Dá vontade de ir conhecer Barcelona.

  3. Markut disse:

    Lembraria ao Elísio que toda a União Européia está chauvinista,com relação aos imigrantes, que vem atrás da prosperidade, às vezes ilusória, e, nesta altura dos acontecimentos, criando um problema social muito grave para os europeus.
    O dilema é sério, pois a Europa precisa deles e, ao mesmo tempo, tende a rejeitá-los. temendo a competição e a infiltração da marginalização.

  4. Pedro Bernad disse:

    Mi infancia pase en Cataluña, mi nuevo hogar es Brasil, reconociendola historia actual, en dar
    separacion,la region de ” KOSOVO ” en Servia,
    por los Estado Unidos,el precedente sirve para
    otras regiones del planeta, e entre estas regiones
    se encuadran Cataluña e region Baska, que los Estados Unidos iniciaron en su favor e politicamente e militarmente, desmembrando esa region de la madre patria de Serbia,las consecuencias actuales sirven de pretecsto para
    tener los mesmos direitos, que los Americanos Iniciaron

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