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COMPORTAMENTO CONSERVADOR

A batalha da América Latina sobre ‘ideologia de gênero’

O movimento dos conservadores na América Latina contra o feminismo e os direitos dos homossexuais ganha adeptos

A batalha da América Latina sobre ‘ideologia de gênero’
O gênero não é uma 'ideologia', mas é um tema extremamente polêmico (Fonte: Reprodução/Lo Cole/The Economist)

Este ano o Peru introduziu uma nova matéria no currículo das escolas primárias baseada no princípio que os meninos e as meninas têm o mesmo direito à educação. Entre seus ensinamentos está a observação que “o que consideramos” feminino “ou” masculino, segundo as diferenças biológicas e sexuais, são, na verdade, papéis construídos no dia a dia, nas interações pessoais. E “alguns desses papéis” levam as meninas a sair da escola para assumir tarefas domésticas.

Para muitas pessoas, esta é uma observação óbvia. No entanto, de acordo com os conservadores, estimulou uma campanha de “ideologia de gênero” na América Latina, cujo objetivo é feminizar meninos, transformar as meninas em lésbicas e destruir a família. Em uma região machista, os ativistas estão conquistando vitórias com suas ideias preconceituosas de discriminação sexual.

Em março, um grupo chamado Con Mis Hijos No Te Metas fez uma grande manifestação em Lima contra a nova matéria curricular e de oposição à ministra da Educação, Marilú Martens. No mês passado, Martens foi criticada pela maioria conservadora de oposição no Congresso por ter administrado mal uma greve de professores e demitida a seguir.

Na Colômbia, no ano passado, Gina Parody, uma homossexual assumida, também foi demitida do cargo de ministra da Educação depois que o ministério produziu um manual para ajudar as escolas a cumprir uma decisão do tribunal constitucional, que proibiu a discriminação por orientação sexual. Os mesmos ativistas se opuseram ao uso da expressão “igualdade de gênero”, que prejudicou a assinatura de um acordo de paz entre o governo colombiano e as Farc, em outubro de 2016.

No México, os opositores à proposta do presidente Enrique Peña Nieto de legalizar o casamento gay organizaram manifestações em todo o país no ano passado. Um ônibus percorreu o México com o slogan Con Mis Hijos No Se Metan.

Por trás desses eventos, há uma longa campanha dos conservadores da Igreja Católica contra o feminismo, desencadeada pela Convenção para a Eliminação de todas as formas de Discriminação contra a Mulher adotada pela ONU em 1979. A campanha ganhou mais força com a oposição ao casamento gay e a outros direitos dos homossexuais, uma causa que atrai protestantes e católicos. “Essas pessoas tentam criar um pânico moral e a ideia que a família está se dissolvendo”, disse Maxine Molyneux, uma socióloga especializada em América Latina do University College London.

O gênero não é uma “ideologia”, mas é um tema extremamente polêmico. As feministas argumentam que a representação das mulheres na Igreja, como moralmente superiores, porém subordinadas ao homem dominante, contribuiu para a injustiça e a violência. No entanto, nos últimos anos com a diminuição do poder da Igreja as mulheres ficaram mais independentes e a tolerância à homossexualidade é maior.

Hoje, as mulheres têm menos filhos. Houve uma tímida liberalização das leis rigorosas do aborto em alguns países. O casamento gay é legal na Argentina, Brasil, Uruguai e em algumas regiões do México. Em média, em 2012, o salário das mulheres latino-americanas equivalia a 84% do salário dos homens com qualificações semelhantes, um aumento de 12% desde 1994.

Porém, esses progressos são limitados e contestados. Estudos mostram que cerca de um terço das mulheres latino-americanas sofre violência doméstica ou sexual. Os assassinatos de gays no Brasil estão aumentando. Embora muitos países incluam a educação sexual no currículo escolar, na prática muitas vezes a matéria não consta da grade curricular. Nas regiões rurais mais pobres, o acesso a métodos de contracepção é difícil.

Como escreveu Marilú Martens no jornal El Comercio, a violência e a discriminação contra as mulheres originam-se de “preconceitos subconscientes” e o caminho para erradicar esses preconceitos é por meio da educação. Por isso, a luta pela igualdade de gênero é tão importante em uma sociedade ainda dominada por um comportamento machista e conservador.

Fontes:
The Economist - Latin America’s battle over “gender ideology”

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

3 Opiniões

  1. Daniela Villa disse:

    Insistem em querer me convencer que isso é bom. Eu não quero igualdade com os homens: só o serviço militar obrigatório já é um horror. Deus me livre.

  2. Célia Regina disse:

    Quem lê essa matéria totalmente desprovida das reais informações á de imaginar que os conservadores são um bando de machistas alienados e histéricos que não tem nenhum motivo para se preocuparem com a ideologia de gêneros. Lutar pelos direitos das mulheres e dos homossexuais, lutar contra o preconceito e a violência contra as mulheres e homossexuais é válido, maaasss criar uma metodologia que desconstrói biologicamente os gêneros masculinos e femininos no intuito de criar uma geração de pessoas assexuadas que não saberam no futuro se são homem ou mulher extinguindo assim os instintos naturais da mulher que sempre foi de cuidar e preservar sua cria, ou do homem de cuidar e proteger sua prole? Qual a intenção disso? Exterminar com a raça humana? Homens Desarmados,afeminados e mulheres frageis masculinizadas, fáceis de serem exterminados,né?

  3. Laércio disse:

    Ideologia de gênero, mais um método para manter os brasileiros ocupados fazendo perpetuar a exploração de nossa matéria prima e garantindo mercado consumidor para os estrangeiros!

    Vocês não entenderam ainda?!
    Não há almoço sem interesse!
    As comissões internacionais se instalam no país assim como o vírus da AIDS fica em um corpo, o vírus da AIDS muda para não ser identificado é destruído, assim são as comissões, elas se alto declaram de direitos humanos, direitos das minorias, agora falam sobre gênero…e assim vai! Estão disfarçadas de ONGs e tantas outras porcarias que encontram solo fértil no Brasil!

    Daqui a cem anos estará nos livros de história que, os latinos, principalmente brasileiros, foram submetidos a colonização portuguesa e depois a “americo-euro-asiatica”, ou seja, nossa submetem ou sugerem ideologias para atrasar o processo evolutivo de nossa sociedade, assim garantem que sejamos mercado consumidor e fornecedor de materia prima.
    -Se o Brasil, um dia, for um concorrente o mundo terá problemas, o Brasil tem a maior usina nuclear natural do mundo, chamada de sol! Os mais rios e aqüíferos, as maiores florestas, ausência de desastres naturais… Deixar o Brasil crescer é dar tiro nos pés, pensam os estrangeiros, então, a todo momento inserem através da mídia ou subliminarmente, assuntos para nos atrasar em desenvolvimento, daí não aprovamos as leis necessárias fazendo com que somente o mal cresça na nação brasileira.
    A ideologia de gênero é só mais um desses freios!
    -sabe aquela instrução de caridade, bem intencionada, que tem em várias cidades, dão aulas de graça e são comandada por estrangeiros?!… é, vamos ter cuidado com as minas explosivas feitas de madeira que sobraram da segunda guerra Mundial…

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