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REINO UNIDO

Boris Johnson ameaça dar calote na União Europeia

Favorito ao cargo de primeiro-ministro britânico, Johnson ameaça não pagar o valor de 44 bilhões de libras previstos no acordo para o Brexit

Boris Johnson ameaça dar calote na União Europeia
Um segundo referendo para o Brexit não está descartado (Foto: Boris Johnson/Facebook)

O britânico Boris Johnson, tido como o favorito a ser o próximo primeiro-ministro do Reino Unido, ameaçou dar um calote na União Europeia (UE). Defensor do Brexit – processo de separação do país do bloco econômico -, Johnson tenta pressionar a UE a renegociar o acordo.

O valor em questão gira em torno de 44 bilhões de libras esterlinas. O pagamento integraria o acordo entre Londres e Bruxelas, alcançado pela atual primeira-ministra interina, Theresa May, para o Brexit.

“Nossos amigos e parceiros têm que entender que o dinheiro será retido até que tenhamos mais clareza sobre o caminho a seguir. […] Para obter um bom acordo, o dinheiro é um excelente solvente e um ótimo lubrificante”, afirmou Johnson, em entrevista ao Sunday Times, publicada no último domingo, 9.

O pacto acordado entre May e a União Europeia foi rejeitado, em diferentes oportunidades, pelo Parlamento britânico. O bloco econômico se posiciona contra uma renegociação dos termos para o Brexit. Por isso, Johnson tenta usar o pagamento, previsto no acordo, para forçar Bruxelas a reabrir as negociações.

Reino Unido e União Europeia têm até o próximo dia 31 de outubro para chegar a um acordo definitivo sobre o Brexit. Caso isso não ocorra, os britânicos poderiam ser forçados a deixar o bloco econômico sem nenhum acordo, o que alarma empresários que atuam no país.

Johnson, que é apontado como o favorito ao cargo de primeiro-ministro, deve disputar a posição com outros dez membros do Partido Conservador. O próximo premier só deve ser anunciado na segunda quinzena de julho, tendo um prazo apertado para garantir o Brexit – isso porque ainda há o período de recesso do Parlamento.

Em seu favor, Johnson conta com o apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que esteve presente no Reino Unido na última semana. Na ocasião, o chefe de Estado americano acenou a Johnson e ao secretário britânico das Relações Exteriores, Jeremy Hunt, que também deve disputar o cargo de primeiro-ministro, com um acordo comercial pós-Brexit.

Segundo referendo

A saída do Reino Unido da União Europeia foi aprovada em referendo popular no dia 23 de junho de 2016, recebendo o apoio de aproximadamente 17 milhões de cidadãos britânicos. Na época, 52% dos eleitores se posicionaram favoráveis à saída do bloco econômico, enquanto 48% foram contra.

Diante da incerteza sobre o Brexit, começou a circular um boato de um possível segundo referendo popular no Reino Unido – o que é apoiado pelo Partido Trabalhista, o principal opositor do Partido Conservador no Parlamento.

No entanto, a possibilidade de um segundo referendo passou a ser apoiada também por alguns membros do Partido Conservador, como é o caso do parlamentar Sam Gyimah, que é um dos pré-candidatos ao cargo de primeiro-ministro britânico. As candidaturas oficiais à posição só começarão a ser feitas nesta segunda-feira, 10.

Gyimah já havia se posicionado favorável a um segundo referendo em dezembro de 2018. Agora, diante da escolha para o próximo primeiro-ministro britânico, o parlamentar voltou a reforçar o posicionamento, afirmando ainda que vários dos candidatos do Partido Conservador também são favoráveis, mas têm medo de admitir.

“Há vários candidatos à liderança que reconhecem isso. Eles não querem propor isso e querem que isso seja feito para eles, em vez de dizê-lo. […] O apoio a um segundo referendo cresce quando não há acordo”, afirmou o parlamentar.

Leia mais: Relembre a trajetória de Theresa May como primeira-ministra

Fontes:
DW-Boris Johnson ameaça dar calote na UE
The Guardian-Sam Gyimah: more Tory MPs coming around to second referendum

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1 Opinião

  1. Roberto Henry Ebelt disse:

    Ter uma moeda única e dezenas de bancos centrais é coisa de louco. Felizmente o UK manteve a sua própria moeda. Quanto antes eles se desligarem deste “samba do crioulo doido”, melhor para eles.

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