Início » Internacional » Brexit leva companhia aérea à falência
REFLEXOS DO IMPASSE

Brexit leva companhia aérea à falência

Empresa britânica apontou a incerteza sobre o Brexit como motivo da falência. Entenda como anda o processo de separação entre Reino Unido e União Europeia

Brexit leva companhia aérea à falência
Theresa May corre contra o tempo para conquistar apoio ao acordo do Brexit (Foto: Wikimedia)

O impasse sobre o processo do Brexit – que levará à saída do Reino Unido da União Europeia – segue causando prejuízos. A companhia aérea britânica British Midland Regional Limited (Flybmi) declarou falência diante do aumento no preço dos combustíveis para empresas britânicas.

“A companhia aérea enfrentou várias dificuldades, incluindo os recentes aumentos nos custos de combustível e carbono, o último decorrente da recente decisão da UE [União Europeia] de excluir as companhias aéreas do Reino Unido da participação total no Esquema de Comércio de Emissões. Essas questões prejudicaram os esforços para levar a companhia aérea ao lucro. O comércio atual e as perspectivas futuras também foram seriamente afetados pela incerteza criada pelo processo Brexit”, anunciou a empresa através de um comunicado.

Todos os voos da companhia foram cancelados desde o último sábado, 16. Todos os clientes que haviam programado viagens foram orientados a procurar seus agentes de viagens e empresas de cartões de crédito para garantir a compensação financeira e a reserva de voos por outras companhias.

Ao todo, a Flybmi empregava 376 funcionários no Reino Unido, Alemanha, Suécia e Bélgica. A empresa contava com 17 aviões, com viagens que abrangiam 25 cidades europeias. Apenas em 2018, a companhia aérea transportou 522 mil passageiros em 29 mil voos.

“Nossa situação reflete dificuldades mais amplas no setor de aviação regional que foram bem documentadas. […] Nós sinceramente lamentamos que este curso de ação tenha se tornado a única opção a nossa disposição, mas os desafios, particularmente aqueles criados pelo Brexit, provaram serem intransponíveis”, explicou a nota.

A Associação de Pilotos Britânicos (Balpa, em inglês), por sua vez, se posicionou através de um curto comunicado assinado pelo secretário-geral do órgão, Brian Strutton. Em nota, Strutton lamentou a declaração de falência e a falta de aviso prévio sobre a ação. “Nossos passos imediatos serão apoiar os pilotos da FlyBMI e apurar com os Diretores e administradores se seus trabalhos podem ser salvos”, explicou Strutton.

Brexit

O processo do Brexit continua sendo uma incerteza nas negociações entre União Europeia e Reino Unido.  Faltam apenas 39 dias para o Reino Unido deixar o bloco econômico, no dia 29 de março. Mesmo assim, um acordo ainda não foi firmado, o que pode causar grandes problemas ao país.

Devido ao conturbado processo, a primeira-ministra britânica, Theresa May, enfrenta dificuldades dentro do Parlamento do Reino Unido, que já tentou retirá-la do cargo. Os parlamentares não concordam com o acordo proposto por May, que agradou a União Europeia. O bloco econômico, por sua vez, se recusa a renegociar o pacto.

“Para qualquer primeiro-ministro racional, a derrota mais recente provavelmente levaria a pessoa a pensar novamente, mas Theresa May ainda está decidida a seguir o mesmo caminho de antes. Ela parece absolutamente comprometida com sua estratégia de atropelar o relógio e apresentar aos deputados um ultimato de ‘meu acordo ou caos'”, apontou Tim Bale, professor de política na Queen Mary University London à rede Al Jazeera.

O acordo final sobre o Brexit será votado, mais uma vez, no dia 27 de fevereiro na Câmara dos Comuns (a Câmara dos Deputados do Reino Unido). O pacto já foi votado e rejeitado no último dia 15 de janeiro, com 432 votos contra e apenas 202 a favor.

Nos dias 21 e 22 de março, Theresa May deve se reunir com o Conselho Europeu. Caso falhe em aprovar o acordo no Parlamento britânico, a primeira-ministra pode negociar o adiamento o Brexit em até 12 meses. Três dias depois, em 25 de março, está prevista uma nova, e última, votação na Câmara dos Comuns sobre o acordo para o Brexit.

Impactos da falta de acordo

A falta de acordo para o Brexit pode provocar ainda mais prejuízos para o Reino Unido do que apenas a falência de uma companhia aérea. De acordo com o El País, o comércio britânico passaria a ser regido pela Organização Mundial do Comércio (OMC), pagando tarifas, com produtos sendo submetidos a controle de fronteiras e sanitários, as montadoras de veículos podem ficar paralisadas por dias por falta de componentes, entre outras coisas.

Ademais, por não fazer mais parte do bloco econômico, os cidadãos europeus poderiam ter o seu trânsito limitado dentro do Reino Unido, assim como britânicos poderiam ser limitados na União Europeia. Isso poderia prejudicar o trabalho de multinacionais que atuam pela Europa, visto que seus funcionários enfrentariam restrições de deslocamento.

Também é possível que, com a falta de acordo, o Reino Unido seja impactado humanitariamente. Isso porque, o Brexit poderia levar o país a lidar com a falta de alimentos e medicamentos, muitos destes importados diariamente de países como Holanda e Espanha. Neste, e em alguns outros casos, um acordo multilateral poderia ser firmado com alguns dos países, mas negociações deste tipo ainda não foram exploradas.

 

Leia também: Mais de 40 empresas trocam o Reino Unido pela Holanda
Leia também: Como o Brexit afeta a saúde mental dos britânicos
Leia também: Brexit e a incerteza dos aposentados na Europa

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *