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CORTE DE RECURSOS

Brexit pode afetar pesquisas científicas do Reino Unido

As empresas do setor farmacêutico e da área de medicina preocupam-se com a saída do Reino Unido da União Europeia

Brexit pode afetar pesquisas científicas do Reino Unido
O Reino Unido beneficia-se com os recursos da UE destinados a pesquisa (Foto: Pixabay)

Com suas universidades de pesquisa excelentes e o uso de novas tecnologias exóticas no campo da medicina, o Reino Unido tem sido o líder na área científica. A experiência do primeiro mamífero clonado, a ovelha Dolly, foi feita na Escócia. A técnica de fertilização in vitro com o DNA do pai, da mãe e de uma doadora para evitar a transmissão de doenças mitocondriais das mães para os filhos, foi um feito pioneiro e até o momento só foi legalizado no Reino Unido.

Inovações como essas ajudam o setor a gerar uma receita de mais de £60 bilhões (US$74 bilhões) por ano e a dar emprego a 220 mil pessoas, muitas delas no “triângulo dourado” de lugares de pesquisa em Oxford, Cambridge e Londres, cujas universidades estão entre as dez melhores do mundo.

Essa base forte de pesquisa apoia um setor privado de grande porte e bem-sucedido. Em consequência, o Reino Unido tem o maior fluxo de novos candidatos no setor farmacêutico na Europa, que movimentou um terço do total de capital de risco na área de biotecnologia no ano passado. A European Medicines Agency (EMA), o principal órgão regulatório da indústria farmacêutica da União Europeia (UE), tem sede em Londres.

Pelo menos essa é a situação atual. Mas depois da aprovação do Brexit em junho muitos questionam se essa concentração de pesquisa científica, que poderia vir a competir com São Francisco ou Boston, teria condições de manter o mesmo padrão e ritmo de crescimento. A saída do Reino Unido da UE tem implicações em quatro áreas básicas: a obtenção de recursos para financiar pesquisas, a busca de talentos, e a administração das regulamentações e do comércio com outros países.

O Reino Unido beneficia-se com os recursos da UE destinados à pesquisa e, no período de 2007 a 2013, recebeu €8,8 bilhões (US$9,8 bilhões) como financiamento, o equivalente a 19% do total. Esse apoio tem atenuado os efeitos da redução das verbas governamentais reservadas à ciência nos últimos anos. O governo disse apenas que compensaria o déficit orçamentário causado pela falta de suporte do Horizon 2020, o programa de pesquisa científica da União Europeia.

Há também angústia em relação ao futuro incerto dos cidadãos da UE no Reino Unido, que representam 17% dos pesquisadores e acadêmicos no ensino superior no país. Cientistas estrangeiros já estão recusando ofertas de empregos em razão da ausência de clareza a respeito do futuro da imigração.

Assim como em outros setores, os cientistas querem que o sistema de imigração destinado a alunos, pesquisadores e trabalhadores seja fácil e rápido para que a área científica tenha condições de prosperar. No entanto, é quase certo que o fluxo de trabalho irá diminuir com a saída do Reino Unido da UE.

Fontes:
The Economist-Life after Brexit

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