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SAÚDE MENTAL

Buenos Aires, a cidade onde quase todos fazem terapia

A psicanálise, uma vez considerada uma forma de resistência ao totalitarismo, é uma modalidade especialmente querida pelos cidadãos do país

Buenos Aires, a cidade onde quase todos fazem terapia
A psicanálise usa os sonhos, fantasias, e associação de discurso para revelar ideias reprimidas no subconsciente (Foto: Pixabay)

A terapia é uma grande parte da vida dos argentinos. O país tem o maior número de psicólogos per capita no mundo, com cerca de 198 profissionais para cada 100,000 habitantes, uma estimativa de 46% da população de Buenos Aires. Como a cultura argentina considera a terapia importante para a saúde e para o auto-desenvolvimento, há bastante demanda para esta oferta. E a maioria dos argentinos procura uma forma específica de terapia: a psicanálise.

A modalidade, fundada por Sigmund Freud, no século XIX, usa os sonhos, fantasias, e associação de discurso livre para revelar ideias reprimidas no subconsciente e ajudar os pacientes a ter uma nova perspectiva sobre suas emoções e experiências.

Mariano Plotkin, professor de história da Universidad Nacional de Tres de Febrero e principal especialista de psicanálise na Argentina, explica que apesar de a modalidade ser conhecida no país desde 1910, passou a ser mais procurada depois que o presidente ditador Juan Perón foi deposto em 1995. “Isso abriu um momento de rápida modernização cultual na Argentina”, diz Plotkin. “Tudo que vinha da Europa era bem vindo. A psicanálise era vista por muitos como uma doutrina de emancipação”.

Durante a repressão cultural da ditadura nos anos 1970, a psicanálise era vista como subversiva. Um grupo chamado Federación Argentina de Psiquiatras ligou a psicanálise a teorias marxistas; este grupo era alvo dos militares e muitos profissionais tinham dificuldade de encontrar trabalho e publicar seus estudos, diz Andrew Lakoff, professor de sociologia na Universidade do Sul da Califórnia. “Com o retorno da democracia em 1983, se tornou novamente uma área de prestígio, porque era associada a resistência ao totalitarismo”, ele diz.

Apesar de alguns psicanalistas serem caros, há muitas opções mais baratas, com a sessão mais barata custando cerca de 150 pesos argentinos (R$33).

“Não é uma terapia necessariamente associada a doenças, mas com boa saúde. É considerada uma coisa que todos deveriam fazer”, diz Lakoff. “Para muitas pessoas, é um processo de autoconhecimento e de maturidade”.

Fontes:
Quartz-Almost everyone in Buenos Aires is in therapy

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1 Opinião

  1. Markut disse:

    Quanto a ser um processo de autoconhecimento não há dúvida. A “maturidade” vai depender da forma como o paciente passa a agir, depois que deixar o divã do psicoanalista.
    Mas, afinal se a democracia argentina voltou em 1983, porque a procura ao divã aumentou, como resistência ao totalitarismo?.
    Não há aí uma contradição?

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