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Buenos Aires também luta para urbanizar favelas

Programa criado para levar infraestrutura e cidadania às favelas da capital argentina é alvo de criticas

Buenos Aires também luta para urbanizar favelas
Moradores reclamam da ausência do poder público nas chamadas 'villas miserias' de Buenos Aires (Reprodução/Internet)

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Aproximadamente 10% dos habitantes de Buenos Aires vivem em favelas, conhecidas como villas miserias na Argentina. A população nesses bairros improvisados dobrou entre 2001 e 2010. A prefeitura de Buenos Aires reconhece que a solução é urbanizar e incorporar as favelas à economia formal da cidade, mas seus esforços, até agora, não produziram resultados satisfatórios.

Em 2011, o prefeito Mauricio Macri criou a Secretaria de Habitação e Inclusão (SECHI) para coordenar os esforços de urbanização das favelas. Muitos moradores, entretanto, criticam a lentidão das mudanças. Desde 21 de abril, um pequeno grupo de ativistas da Vila 33, uma favela no centro de Buenos Aires e próxima a bairros nobres, iniciou uma greve de fome para protestar contra o pouco que a cidade vem fazendo para levar infraestrutura e cidadania aos moradores da favela. Como acontece no Brasil, muitas villas miserias não têm saneamento básico, energia elétrica, água encanada ou transporte público.

O orçamento do SECHI é pequeno, em torno de 150 milhões de pesos (US$ 19 milhões), menos de 1% do orçamento total da cidade. Embora outros órgãos também estejam trabalhando para melhorar as moradias das villas, é necessário mais dinheiro e um programa de habitação social mais abrangente, diz Mercedes Di Virgilio, socióloga da Universidade de Buenos Aires.

A falta de dinheiro não é o único problema. O estado tem sido ausente nas favelas, e em seu lugar outras estruturas de poder surgiram. Em certas villas da capital argentina um processo democrático foi adotado, através do qual representantes são eleitos pela comunidade. Em outros, as figuras mais poderosas não são eleitas, mas acumularam um público fiel, tornando-se punteros, ou aqueles capazes de resolver os problemas do dia-a-dia dos moradores.

Muitos desses representantes e punteros estão descontentes com a presença do SECHI nas villas. Como acontece nas UPPs em favelas pacificadas do Rio de Janeiro, o SECHI já teve vários de seus centros incendiados ou vandalizados. Iguais às do Brasil, as favelas argentinas continuam a crescer e se expandir desordenadamente.

Fontes:
The Economist - The unplugged

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1 Opinião

  1. Antonio Carlos Saavedra disse:

    Conheço as favelas argentinas, “también llaman a asentamientos de emergencia”. São muito parecidas com as nossas, o que prova que a miséria fala a mesma lingua.

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