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setor alimentício dos EUA

Busca por salários mais altos pode acelerar a troca de atendentes por robôs

Recente campanha por aumento salarial nos EUA fez crescer a busca pela criação de máquinas que podem substituir funcionários do setor alimentício

Busca por salários mais altos pode acelerar a troca de atendentes por robôs
Muitos donos de redes, porém, não admitem que tal medida vá gerar desemprego (Foto: Wikipedia)

Trabalhadores americanos iniciaram uma campanha chamada Fight for 15, que busca aumentar o salário mínimo do país de US$ 7,25 para US$ 15 a hora trabalhada. Para redes de fast-food como o Mc Donald’s, no entanto, esse movimento pode ter outro efeito: trabalhadores sendo substituídos por robôs.

Isso porque o salário dos funcionários consome 30% da receita da rede. Logo, investir na criação de máquinas programadas para fazer hambúrgueres parece uma ótima ideia para os gestores da empresa.

E não é só o Mc Donald’s que pretende investir nessa mudança. Muitas outras redes do setor de alimentação dos EUA estão pesquisando formas de substituir funcionários por robôs. Isso pode resultar em uma explosão na taxa de desemprego no setor alimentício, que emprega 2,4 milhões de atendentes, 3 milhões de cozinheiros e 3,3 milhões de caixas.

Muitos donos de redes, porém, não admitem que tal medida vá gerar desemprego. “O problema dessa campanha é que ela põe de cabeça para baixo toda a contabilidade da empresa. Minha opinião é: pague seus funcionários, mantenha-os por muito tempo e os trate bem. E os robôs vão ser úteis nesse processo, porque vão ajudar o restaurante a sobreviver”, disse ao jornal Washington Post Harold Miller, vice-presidente da rede Persona Pizzeria.

Por todo o país, donos de franquias estão empenhados em encontrar tecnologias que os permita produzir alimentos de forma mais rápida, com maior qualidade e menos desperdício. É o que diz Dave Brewer chefe executivo da Middleby Corp., empresa que cria e fornece equipamentos de cozinha para redes de fast-food e restaurantes. “O milagre é que o aumento dos salários está gerando esse interesse”.

No entanto, o valor do chamado “toque humano” não pode ser subestimado pelo setor alimentício. Muitos clientes escolhem os restaurantes justamente pelo bom atendimento. Andy Wiederhorn, chefe da rede Fatburguer, está testando um sistema de tablets acoplados à mesa, mas afirma que seus funcionários são sua melhor ferramenta.

“Os tablets podem ter seu lugar na mesa, mas é muito difícil fazer perguntas e conseguir sugestões deles. Não acho que substituem um atendente, apenas tornam o atendimento mais eficiente”.

A opinião de Wiederhorn é compartilhada por Hudson Riehle, vice-presidente da Associação de Restaurantes dos EUA. “Por ser um setor que tem como base a hospitalidade, o grande desafio é combinar excelência no atendimento e na tecnologia”.

Fontes:
The Washington Post-Minimum-wage offensive could speed arrival of robot-powered restaurants

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