Início » Vida » Educação » Cada vez mais crianças britânicas são expulsas da escola
REINO UNIDO

Cada vez mais crianças britânicas são expulsas da escola

A rejeição ao comportamento de crianças e jovens rebeldes ou inadaptados ao ambiente escolar tradicional no Reino Unido tem aumentado o número de alunos excluídos do sistema formal de ensino

Cada vez mais crianças britânicas são expulsas da escola
Críticos suspeitam que as escolas não toleram comportamentos que possam perturbar a ordem, ou alunos que exijam mais atenção (Fonte: Reprodução/Getty Images)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

Chegou a um ponto, disse Susan, que o simples fato de deixar a filha no colégio era motivo de sentir uma angústia profunda. Seguia para o trabalho, sabendo que teria de voltar por causa de um novo problema. Por fim, saiu do emprego, porém isso não foi suficiente para impedir que a situação na escola se deteriorasse. Quando, durante uma nova repreensão, a filha de 8 anos perguntou à professora: “Por que você não me mata?”, a escola a expulsou, com a justificativa que era a única opção depois de várias tentativas de controlar a rebeldia da menina.

Agora, sua filha faz parte de um grupo crescente de crianças e jovens com dificuldade de adaptação às escolas. De acordo com os números oficiais mais recentes, 6.685 alunos do Reino Unido foram expulsos da escola, um aumento de 44% desde o período de 2012 a 2013. Os diretores dizem que as crianças são expulsas, quando não há nada mais a fazer para controlar a rebeldia, ou em casos de comportamentos perigosos, como trazer uma arma para a escola. Nessas circunstâncias a escola visa ao bem-estar e à segurança dos alunos, disse Tom Bennett, um assessor do governo sobre o comportamento escolar. “Seus colegas também têm direitos.”

Mas os críticos suspeitam que as escolas não toleram comportamentos que possam perturbar a ordem, ou alunos que exijam mais atenção. Muitos dos alunos expulsos têm problemas mentais não diagnosticados ou necessidades especiais. E quase sempre são negros, do sexo masculino e pobres.

Além disso, os dados oficiais subestimam o número real de expulsões. Houve um aumento no número dos dados “não oficiais”, quando os pais foram incentivados a matricular os filhos em outra instituição de ensino. Segundo um relatório do instituto de pesquisa IPPR, com a inserção de informações que não constam dos registros oficiais, 48 mil crianças, ou um em cada 200 alunos são expulsos da escola durante o ano letivo.

O sistema que lida com crianças excluídas do ensino formal é confuso. As escolas alternativas têm um currículo extremamente limitado, com apenas o ensino do inglês básico e da matemática. Há poucas pesquisas sobre o que mais poderia ser oferecido a essas crianças. Como resultado, apenas 1% dos alunos expulsos em algum momento da escola têm boas notas no GCSE, o exame nacional de conclusão do ensino médio, um dos requisitos básicos para o ingresso no mercado de trabalho.

A rejeição às crianças indisciplinadas, agressivas, ou com deficiências mentais e físicas, é um ônus não só para as crianças, suas famílias, mas também para o Estado. Em 2012, um estudo publicado pelo Ministério da Justiça revelou que mais de seis em cada dez prisioneiros foram expulsos da escola. A exclusão de crianças problemáticas resolve o problema imediato da disciplina nas salas de aula, mas tem um custo social, político e econômico elevado no futuro.

Fontes:
The Economist - More English children are being excluded from school

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

1 Opinião

  1. Markut disse:

    Uma informação como essa,divulgada pelo The Economist levanta a complexa questão de definir e intervir no capital humano, que nos sucederá. Um desafio para ninguém botar defeito.
    Onde está a responsabilidade? Onde está o erro?O que está acontecendo com o ambiente familiar?
    Será necessária uma revolução pedagógica para manter e formar adequadamente o novo capital humano?
    Se isso é fato intrigante no 1º mundo, o que dizer do 3º?
    Talvez a Finlândia, no 1º mundo, seja a precursora de algumas medidas revolucionárias, que ela está tomando, a respeito desta grave questão.

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *