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COLETA DE DADOS

Cambridge Analytica também atuou nas eleições do Quênia

Pivô do escândalo de uso irregular de dados do Facebook, a consultoria atuou nas duas últimas eleições do Quênia com foco no acirramento de tensões étnicas

Cambridge Analytica também atuou nas eleições do Quênia
Empresa atuou nas campanhas de 2013 e 2017, que elegeram e reelegeram Uhuru Kenyatta (Foto: Flickr/Global Panorama)

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Envolta no maior escândalo da história do Facebook pela coleta irregular de dados da rede social para influenciar a campanha presidencial americana de 2016, a empresa de consultoria Cambridge Analytica também teve um papel crucial nas eleições presidenciais do Quênia de 2013 e 2017, que resultaram na eleição e reeleição de Uhuru Kenyatta.

A informação foi divulgada pelo New York Times, com base em um vídeo publicado pela emissora britânica Channel 4 News. Kenyatta foi reeleito em outubro do ano passado, após dois pleitos presidenciais. O primeiro ocorreu em agosto, mas foi anulado pela Suprema Corte do país, que considerou a eleição recheada de irregularidades. Um novo pleito foi marcado para outubro, resultando na vitória de Kenyatta.

Para Moses Karanja, pesquisador de um projeto na Escola de Direito Strathmore, em Nairóbi, que analisa o papel das redes sociais e da desinformação nas eleições presidenciais do país, a notícia da atuação da Cambridge Analytica no Quênia e seus abusos envolvendo coleta de dados do Facebook, reforça os temores levantados em seu trabalho de que dados pessoais de cidadãos quenianos foram acessados por partidos políticos e até por órgãos do governo, como o comitê eleitoral.

Segundo ele, mensagens personalizadas recebidas por ele e outros eleitores durante a campanha presidencial indicam que informações de registro de eleitores, dados de mídia social e números de telefone dos cidadãos estavam sendo interligadas de forma independente – embora ainda não esteja claro como. “Para mim isso é assustador. Estas são questões que tais plataformas devem responder”, diz Karanja, em entrevista ao ‘NYT’.

Também em entrevista ao ‘NYT’, Gacheke Gachihi, diretor do centro de justiça social Mathare, com sede em Nairóbi, explica que a abordagem da Cambridge Analytica nas eleições do Quênia tinha como foco uma “propaganda de segregação” com acirramento de inimizade étnica.

“O modo como você pinta seu oponente, também é o modo como você pinta os eleitores dele. E você e sua base étnica vão pensar coisas como ‘Este homem é um demônio’. Isso mina o trabalho que tentamos desenvolver para a justiça social”, explica Gachihi.

Em seu site, a Cambridge Analytica lista o Quênia como um de seus casos de estudos políticos e apresenta uma pesquisa conduzida com 47 mil eleitores do país, em 2013, na qual foram identificadas as “necessidades reais dos eleitores (trabalho)” e seus “temores (violência tribal)”, bem como “seus canais de informações favoritos”. Segundo a consultoria, a pesquisa foi a mais extensa já realizada no leste da África.

Além dos EUA e do Quênia, a Cambridge Analytica também atuou na campanha pró-Brexit no Reino Unido, em 2016, e iria atuar nas eleições brasileiras deste ano. A atuação no Brasil, no entanto, foi cancelada após a sócia da empresa no país, a consultoria política Ponte CA, romper o acordo diante do envolvimento da empresa no escândalo de manipulação irregular de dados do Facebook.

 

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