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APÓS POLÊMICA

Camisa da Versace é retirada do mercado por causa da China

Marca de luxo italiana é acusada de tentar minar a integridade nacional da China, por conta de uma camiseta que classificava Hong Kong e Macau como países

Camisa da Versace é retirada do mercado por causa da China
A herdeira da marca, Donatella Versace, pediu desculpas pelo incidente (Foto: Twitter/Versace)

A Versace – grife italiana de alto luxo – pediu desculpas esta semana depois que uma das camisetas da empresa foi duramente criticada nas redes sociais na China por identificar como países os territórios de Hong Kong e Macau – controlados pelos chineses. O pedido foi feito pela herdeira e diretora artística da marca, Donatella Versace.

A empresa – comprada pela Capri Holdings, de Michael Kors, em setembro, por US$2,12 bilhões – publicou em sua conta no Twitter que cometeu um erro e que as vendas do produto foram interrompidas e que o estoque foi destruído. A nova polêmica ocorreu porque numa linha de camisetas foram impressos os nomes de várias cidades importantes e seus respectivos países – como New York-USA – mas Hong Kong e Macau não apareciam sob o controle da China.

Assim, os modelos com as inscrições “Hong Kong-Hong Kong” e “Macau-Macau” foram considerados um insulto a Pequim. Mesmo consideradas territórios autônomos, as ex-colônias europeias de Hong Kong e Macau regressaram ao controle de Pequim no final dos anos 1990. A ira dos chineses também se estende à francesa Givenchy e à americana Coach – que também tiveram participação na produção dos itens com equívoco geopolítico.

(Foto: Weibo)

Para não perder a maior fatia do maior mercado mundial em termos de número de potenciais consumidores, a Versace – bem como suas parceiras – não teve outra opção senão declarar que “amamos profundamente a China e respeitamos resolutamente o território e a soberania nacional do país”, em nota oficial da empresa. Em sua conta no Instagram, Donatella classificou o episódio de “infeliz erro”: “Eu queria pedir desculpas pessoalmente por tamanha imprecisão e por qualquer aflição que isso possa ter causado”, postou, informando ainda que a empresa estuda “ações para melhorar a maneira como operamos dia após dia para nos tornarmos mais conscientes”.

O negócio da China e os erros históricos 

A medida, no entanto, ou chegou atrasada ou não foi suficiente. Embaixadora da marca no país asiático, a famosa atriz Yang Mi decidiu interromper seu acordo de cooperação com a Versace, acusando-a de tentar minar a integridade nacional. E o estúdio Jiaxing Media, que mantém a artista sob contrato, revelou que “a integridade territorial e a soberania da China são sagradas e invioláveis em todos os momentos”.

Esta não é a primeira vez que uma grife se complica com temas políticos na China. No ano passado, a também italiana Dolce & Gabbana foi acusada pelas autoridades chinesas de racismo e sexismo. A quatro dias de um importante lançamento – um verdadeiro “negócio da China” – , a marca lançou uma série de três vídeos mostrando uma chinesa, vestida com trajes luxuosos, tentando comer pratos típicos italianos utilizando um hashi (aqueles pauzinhos usados nas mesas asiáticas). A ação deixou irados o mercado consumidor e também as autoridades, abalando a reputação da grife que, para manter seus negócios no país, teve de cancelar a campanha.

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3 Opiniões

  1. Roberto Henry Ebelt disse:

    Te mete com comuna!!! Pobres habitantes de Hong Kong e Macau; foram abandonados pelo ocidente e nunca se livrarão do tacão comunista que só na China já matou mais de 50.000.000 de pessoas. LAMENTÁVEL. Toda a força para TAIWAN.

  2. Regina disse:

    As marcas ocidentais querem conquistar o enorme mercado chinês. Mas para isso é preciso conhecer bem a cultura chinesa, o que é um desafio.

  3. BS disse:

    Eu vi o filme da modelo comendo comida italiana com hashi. Para um ocidental pode ser engraçado, mas a cultura chinesa é diferente.

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