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ELEIÇÃO

Campanha na Alemanha

Uma nova estratégia de abordagem de eleitores está fazendo sucesso na Europa

Campanha na Alemanha
As leis de privacidade mais rígidas impedem que os partidos guardem dados pessoais dos eleitores (Foto: Economist)

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“Olá! Sou Cornelius Golembiewski do partido União Democrata-Cristã (CDU). Gostaria de lhe dar o manifesto do partido e um folheto sobre Johannes Selle, nosso candidato local.” A mulher em frente à porta da casa agradeceu, mas disse que ela e o marido já tinham votado pelo correio. Golembiewski lhe desejou bom-dia, abriu o aplicativo Connect17 no celular e clicou na imagem de um rosto sorridente. “Fomos o primeiro partido a fazer campanha com um contato pessoal em visita às casas”, explicou. Junto com outros jovens ativistas, ele percorre as ruas de Jena, no estado da Turíngia, usando uma estratégia nova no continente europeu para conquistar votos dos eleitores.

Na Europa as campanhas eleitorais usam cartazes, estandes nas ruas e comícios para atrair os eleitores, mas não a campanha de porta a porta como nos Estados Unidos e no Reino Unido. As leis de privacidade mais rígidas impedem que os partidos guardem dados pessoais dos eleitores. Em geral, eles vivem em condomínios fechados onde a comunicação é feita por interfone, o que dificulta o contato. E os sistemas eleitorais em países como a Alemanha são mistos e incluem o voto distrital, no qual o país é dividido em circunscrições que elegem, cada uma delas, um candidato e o voto proporcional dado ao partido. Por isso, os eleitores dessas circunscrições são muito importantes para os políticos locais.

Essa abordagem porta a porta dos eleitores foi usada por Barack Obama em sua campanha eleitoral, em 2008. Guillaume Liegey, um consultor que na época estudava em Boston, usou a técnica na campanha presidencial de François Hollande em 2012 e, no ano passado, repetiu a experiência com o partido Em Marcha! de Emmanuel Macron.

Em obediência às leis de privacidade o aplicativo Connect17 não usa nomes de eleitores e com a ajuda das coordenadas do GPS os ativistas batem na porta das casas, conversam com os moradores e registram as respostas positivas, neutras ou negativas. Assim, o partido tem um mapeamento local das preferências dos eleitores, explicou Christian Zinke, cuja empresa desenvolveu o aplicativo.

Os políticos europeus estão usando essa técnica de campanha porta a porta para aumentar a confiança e o interesse do eleitorado em uma época de descrença e decepção com a política. Em três eleições regionais alemãs no início deste ano, o Connect17 obteve um número inesperado de votos para o CDU. “Quando os eleitores se deparam com pessoas iguais a eles envolvidas em campanhas eleitorais sentem que a política não é um mundo distante ao qual não pertencem”, disse Liegey.

 

Fontes:
The Economist-Campaigning in Germany

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