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Ironia de guerra

Campanha radical do Estado Islâmico é alimentada por armas dos EUA

Armas enviadas pelos EUA e outros países ocidentais para forças do Iraque e da Síria estão sendo roubadas pelos jihadistas e usadas em sua campanha extremista no Oriente Médio

Campanha radical do Estado Islâmico é alimentada por armas dos EUA
Metralhadora francesa encontrada em posse dos jihadistas (Reprodução/AFP)

Em sua campanha extremista no Iraque e na Síria, o grupo radical Estado Islâmico (ISIS) vem utilizando armas e munições originárias dos Estados Unidos e outros países que apoiam a ofensiva contra os jihadistas. A informação foi divulgada por organizações que rastreiam as origens de armamentos usados em conflitos.

Além de configurar uma ironia, tal fato sugere que a estratégia ocidental de armar as forças da Síria e do Iraque para estabilizar os respectivos governos teve o efeito contrário. Isso porque as armas e munições acabaram sendo roubadas pelos jihadistas, conforme o grupo radical avançou em ambos os países. Em outras palavras, a medida ajudou a criar e fortalecer o ISIS, e, atualmente, alimenta sua campanha no Oriente Médio.

“A lição aprendida é que as forças de defesa que estão recebendo armas e munições não têm capacidade de manter a posse desses armamentos”, disse James Bevan, coordenador da ONG Conflict Armament Research, que reúne e analisa dados sobre armamentos usados pelo ISIS. Segundo a ONG, cerca de 80% dos armamentos usados pelos jihadistas provêm dos EUA, da China, da Sérvia e da antiga União Soviética. Contudo, também foi constatado o uso de armas de países da coalizão ocidental. Uma foto divulgada pela agência France Press (AFP), mostrou uma metralhadora francesa encontrada em poder dos jihadistas.

ISIS domina cidade estratégica na Síria

Nesta segunda-feira, 6, duas bandeiras do ISIS foram hasteadas na cidade curda Kobani, na Síria, próximo à fronteira com a Turquia. A cidade é considerada um ponto-chave para a entrar no território turco.

Em entrevista ao jornal britânico Guardian, Idris Nassan, porta-voz das forças curdas, disse que os ataques aéreos liderados pelos EUA não estão conseguindo conter o avanço dos jihadistas. Após duas semanas de bombardeios aéreos da coalizão, o ISIS continua a tomar cidades por onde passa.

Segundo o porta-voz, ataques aéreos não surtem efeito se não houver apoio em terra. “Cada vez que um avião se aproxima, eles deixam suas posições, se dispersam e se escondem. O que realmente precisamos é de apoio em terra. Precisamos de armas pesadas e munições para derrotá-los”.

Fontes:
The New York Times-ISIS’ Ammunition Is Shown to Have Origins in U.S. and China

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