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IMIGRAÇÃO

Canadá endurece controle de fronteiras

A política de abertura à imigração no Canadá atraiu um número excessivo de requerentes de asilo. Agora, o governo está adotando medidas mais rígidas de controle nas fronteiras

Canadá endurece controle de fronteiras
'Não há garantias de permanência de refugiados no Canadá', diz nova mensagem do governo canadense (Fonte: Reprodução/Pixabay)

“Os que fogem de perseguições, terror e guerra, serão recebidos pelos canadenses, independente de sua fé.” Este foi o texto da mensagem postada no Twitter pelo primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, em janeiro de 2017, depois da proibição temporária da entrada de refugiados nos EUA pelo presidente Donald Trump. Mas no mês passado, o Ministério de Imigração postou uma mensagem mais seca no Twitter. “Não há garantias de permanência de refugiados no Canadá.”

O tom mudou porque muitos imigrantes interpretaram as palavras cordiais de Trudeau, como uma concessão de asilo sem qualquer tipo de restrição. Cerca de 20 mil requerentes de asilo atravessaram a fronteira dos EUA no ano passado, um aumento de quase dez vezes em relação a 2016. Sete mil e quinhentos refugiados entraram no Canadá nos primeiros quatro meses de 2018.

Segundo o acordo de Terceiro País Seguro entre o Canadá e os Estados Unidos assinado em 2004, o Canadá tem o direito de impedir a entrada de imigrantes vindos dos EUA. Mas os requerentes de asilo descobriram como contornar essa cláusula do acordo. A proibição de entrada refere-se às pessoas que chegam de avião, de trem ou atravessam um dos 119 postos de fronteira. Caso cruzem a fronteira de outra forma, o Canadá é obrigado a acolhê-las enquanto processa os pedidos de asilo.

Então, os imigrantes ou refugiados vão de táxi até Champlain, uma cidade no norte do Estado de Nova York e, em seguida, atravessam um canal que dá acesso a Quebec, a província de população na maioria francófona do Canadá. Em abril, 2.500 requerentes de asilo entraram no Canadá via Quebec.

Com o anúncio do cancelamento do Status de Proteção Temporária (TPS) para o Haiti concedido pelo governo americano após o terremoto em 2010, os haitianos foram o grupo mais numeroso de requerentes de asilo em 2017, seguidos por cidadãos americanos, muitos deles filhos de imigrantes sem documentos legais. Este ano, o número de nigerianos superou o dos refugiados no ano passado.

No início, os canadenses sentiram-se moralmente superiores por acolher um grande número de refugiados. Porém, logo perceberam que a maioria fugira de seus países por razões econômicas e não por perseguições políticas, religiosas ou pela violência das guerras. O Partido Conservador de oposição acusou o governo de ter perdido o controle migratório no país. Essa acusação ameaça o consenso que apoia a política de abertura à imigração do Canadá. Este ano o governo pretende acolher 310 mil imigrantes e refugiados, o equivalente a 0,8% da população do país.

O controle da entrada de requerentes de asilo exige medidas mais duras. A entrada por outros meios que não a fiscalização dos postos de fronteira não será permitida e os funcionários da imigração têm ordens de prender os que desrespeitarem a lei, advertiu o ministro da Segurança Pública, Ralph Goodale, em 7 de maio.

O problema poderia ser solucionado com a alteração do texto do acordo de Terceiro País Seguro. No entanto, com sua política antimigratória intransigente é improvável que Trump aceite um acordo que permitiria a permanência de requerentes de asilo em território americano. É um impasse de difícil solução.

Fontes:
The Economist - Canada qualifies its welcome to asylum-seekers

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