Início » Internacional » Candidatos pró-democracia têm vitória histórica em Hong Kong
ELEIÇÃO DISTRITAL

Candidatos pró-democracia têm vitória histórica em Hong Kong

Candidatos pró-democracia conquistaram 388 de 452 assentos nos conselhos distritais na maior eleição da história de Hong Kong

Candidatos pró-democracia têm vitória histórica em Hong Kong
O homossexual Jimmy Sham, de muleta, foi um dos conselheiros pró-democracia eleito (Foto: ray_slowbeat/Twitter)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

Os candidatos pró-democracia dominaram as eleições de conselhos distritais em Hong Kong. Ao todo, os candidatos assumiram 388 de 452 assentos nos conselhos – mais de 85% das cadeiras – após a votação do último domingo, 24.

O crescimento da representatividade dos candidatos pró-democracia nos conselhos distritais foi impulsionado pelos recentes protestos que tomaram as ruas da região semiautônoma chinesa. Antes, os candidatos pró-democracia ocupavam apenas 124 cadeiras dos 452 assentos disponíveis.

Se por um lado os representantes pró-democracia cresceram, os candidatos pró-Pequim sofreram um duro revés. Enquanto na campanha anterior tinham conquistado mais de 300 assentos, na atual somaram apenas 58 cadeiras das 452 disponíveis.

A massiva votação em prol da democracia representou um domínio dos candidatos em 17 dos 18 distritos de Hong Kong. Apenas o distrito conhecido como Ilhas Exteriores continua sob o domínio de conselheiros pró-Pequim. Os candidatos permanecerão no cargo pelos próximos quatro anos.

Em termos políticos nacionais, a movimentação pró-democracia nos conselhos distritais não tem tanta representatividade para mudanças diretas. Isso porque os poderes dos conselhos estão mais ligados a assuntos locais, como preservação dos parques e recolhimento de lixos. Os conselhos distritais também representam apenas 10% dos 1,2 mil membros que escolhem o líder de Hong Kong – com a maioria sendo pró-Pequim.

No entanto, a massiva votação em prol da democracia em Hong Kong pode repercutir diretamente na alta cúpula política da China. Os conselhos distritais são os únicos escolhidos diretamente por votos universais na região semiautônoma. O alto número de cadeiras para candidatos pró-democracia soa como um alerta para as autoridades chinesas.

Somado a isso, a grande participação do eleitorado de Hong Kong também chama a atenção. Normalmente, a participação ficava em torno de 40%. Após a Revolução dos Guarda-Chuvas, em 2014, a participação aumentou para cerca de 47%.

Já neste ano, com a adesão de 400 mil novos eleitores recentemente – com a maioria sendo jovens –, a participação do público eleitoral foi de 71%, um recorde na região. Muitos eleitores admitiram estar indo às urnas pela primeira vez. A cifra representa quase 3 milhões de pessoas, quase metade da população de Hong Kong. Isso fez com que a eleição se tornasse a maior da história da região.

“É a primeira vez que votei. Eu me registrei por causa do movimento. […] Estou feliz que muitas pessoas tenham votado, porque queremos que nossas vozes sejam ouvidas”, afirmou Vivian Lee, que está na casa dos 30 anos, segundo noticiou o Guardian.

Ainda não se sabe como a massiva eleição de candidatos pró-democracia vai repercutir em Hong Kong e, consequentemente, na China. Analistas internacionais apontam dois caminhos prováveis: Pequim pode atender certas demandas dos movimentos das ruas – como retirar a líder Carrie Lam do cargo e oferecer investigações independentes sobre os abusos policiais nas manifestações – ou pode estender a repressão policial, tentando forçar os protestos a se calarem.

A última grande vitória de candidatos pró-democracia havia ocorrido em 2003, quando representantes do movimento conquistaram 198 assentos nos conselhos distritais. Na época, a alta representação do movimento pró-democracia levou Pequim a anular uma lei em prol da segurança nacional, a qual os conselheiros afirmavam que colocava em risco as liberdades civis em Hong Kong.

Com a maior representatividade nos conselhos distritais, os candidatos eleitos acreditam que ganhos similares podem ser conquistados, fazendo com que Pequim atenda as demandas dos manifestantes.

Analistas também apontaram para a possibilidade de que o presidente da China, Xi Jinping, não estivesse recebendo todas as informações a respeito da situação de Hong Kong. Acredita-se que alguns relatos estivessem sendo filtrados antes de chegar ao presidente chinês. No entanto, com a votação massiva em Hong Kong, essa possibilidade não será mais possível.

A líder de Hong Kong, Carrie Lam, garantiu que o resultado das urnas será respeitado. Lam disse ainda que ouviu a opinião de muitas pessoas, que indicavam que o resultado refletia a insatisfação vista durante as manifestações. Por isso, a líder de Hong Kong afirmou que o governo “ouvia as opiniões do público com uma mente aberta e refletia seriamente sobre elas”.

A posição de Lam, porém, não parece ser compartilhada por Pequim. O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, reforçou que “Hong Kong sempre fez parte da China e quaisquer tentativas de criar caos em Hong Kong ou comprometer sua prosperidade e estabilidade não serão bem-sucedidas”. A afirmação de Yi foi considerada um aceno em direção ao editorial da agência de notícias do governo chinês Xinhua, que apontou a interferência estrangeira em Hong Kong.

“A China responderá de forma tática e resolutamente contra qualquer movimento dos EUA que prejudique os interesses da China e nunca os deixará agir deliberadamente nos assuntos de Hong Kong”, afirmou o editorial, segundo noticiou o Washington Post.

Leia mais: Universidade é palco de confrontos em Hong Kong
Leia mais: Manifestações em Hong Kong marcam aniversário da China
Leia mais: As raízes da insatisfação em Hong Kong

Fontes:
The New York Times-Hong Kong Election Results Give Democracy Backers Big Win
The Washington Post-In Hong Kong elections, big defeat for elites pressures Beijing to rethink approach
The Guardian-Hong Kong voters deliver landslide victory for pro-democracy campaigners

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *