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ELEIÇÕES NOS EUA

Candidatura de Trump causa polêmica no meio empresarial

Visão empresarial mais moderna e pragmática é uma contradição à proposta política xenófoba de Trump

Candidatura de Trump causa polêmica no meio empresarial
A hostilidade das grandes empresas em relação a Donald Trump estende-se mais além do livre comércio (Fonte: Reprodução/Fickr)

Os CEOs das empresas multinacionais têm em geral um grande autocontrole, um aperto de mão firme, cabelos bem cortados e penteados, frases curtas e de impacto. Mas ao falarem a respeito da eleição para presidente da República reagem irritados. Em um coquetel em Manhattan, o executivo-chefe de um grande banco chamou Donald Trump de louco. Com um tapa na mesa, o CEO de uma das maiores empresas de tecnologia do país, um raro republicano no Vale do Silício, disse com um ar solene que iria votar em Hillary Clinton. O CEO de uma enorme empresa de transporte comentou preocupado que a presidência de Trump seria um desastre para o livre comércio e para os negócios em expansão de sua empresa no México.

As grandes empresas internacionais não compartilham a opinião de Trump que os Estados Unidos não crescem mais à altura do seu potencial econômico. Ao contrário, para essas empresas foi uma década de ouro. Os preços das ações estão quase sempre em alta; os ganhos operacionais das empresas incluídas no índice S&P 500 aumentaram 137% desde a crise financeira mundial em 2009. Muitos fatores que prejudicaram o interior e a região rural dos EUA fortaleceram as empresas americanas. As grandes companhias cortaram empregos para aumentar a produtividade e 40% de suas vendas são feitas no exterior.

O grande número de fusões e o lobby dos grupos de pressão deram um poder mais hegemônico às empresas nos EUA. Elas queixam-se dos impostos, mas se especializaram na arte de encontrar meios de não pagá-los. As 50 maiores empresas pagaram uma taxa de 24% de impostos sobre seus lucros globais em 2015, quando a taxa oficial foi de 39%. Os grandes bancos aprenderam a viver com mais regulamentação e superaram a eficiência de seus concorrentes europeus.

No momento em que uma parte da opinião pública critica o desempenho econômico, as empresas dos EUA ocupam as dez principais posições dos rankings corporativos mundiais, avaliadas pelo valor de mercado. Os CEOs das multinacionais acham que o país tem tudo para ser uma potência econômica. A perda de empregos ocasionada pela mão de obra chinesa barata já é um fato passado. É possível que o mercado consumidor da China aumente ainda mais. E a liderança tecnológica dos EUA nunca foi tão predominante.

Os novos acordos comerciais, como o Tratado Transpacífico, atendem aos interesses dos EUA em questões como o direito de propriedade intelectual. “O modelo americano que orientou nossas ações ao longo dos últimos 30 a 40 anos está mais forte do que nunca”, declarou Eric Schmidt, o chairman da Alphabet, a holding que controla o Google, em uma palestra no Economic Club of New York no mês passado.

A hostilidade das grandes empresas em relação a Donald Trump estende-se mais além do livre comércio. Elas sabem que o perfil demográfico dos EUA está mudando. O número crescente de consumidores é de origem hispânica, com a previsão de um aumento de cerca de 2% de gastos em 2020, ao passo que o consumo dos americanos irá cair na mesma proporção, segundo o banco Morgan Stanley. Além disso, os CEOs das grandes empresas preveem que a política social dos EUA será mais liberal. Essa visão empresarial mais moderna e pragmática é uma contradição à proposta política xenófoba de Trump. Por esse motivo, as empresas Wells Fargo, JPMorgan Chase, Ford, Coca-Cola e Apple declararam que não irão apoiar a convenção republicana este mês, ou talvez retirem o apoio até o final da eleição.

As pesquisas de opinião indicam que Trump é popular entre os proprietários de pequenas empresas. O financiamento de sua campanha contou com a contribuição de empresas de pequeno porte que Wall Street e Washington, D.C., desconheciam, como Biagi Plumbing, James River Air Conditioning, Rosenberger Construction, Allen Unique Autos, Texan Drywall Inc e Podell Fuel Injection.

Fontes:
The Economist - The two faces of USA Inc

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