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Capital da Eslovênia repensa o lixo e muda hábitos em 17 anos

A cidade de Liubliana destaca-se na Europa com seu programa inovador de reciclagem e reutilização de resíduos sólidos

Capital da Eslovênia repensa o lixo e muda hábitos em 17 anos
Primeiros passos do novo programa de gerenciamento de resíduos ocorreram em 2002 (Foto: Diego Delso/Wikimedia)

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Do topo de uma colina com uma vegetação abundante avista-se a cidade de Liubliana, capital da Eslovênia. O ar é puro e veados, coelhos e tartarugas vivem nessa colina em perfeita harmonia com a natureza. O único sinal da existência de um aterro sanitário a uma distância de 24 metros é a tubulação de gás metano que se sobressai em meio à vegetação.

Liubliana é a primeira capital europeia a desenvolver um programa de reciclagem e reutilização de resíduos sólidos. Em 2002, a empresa de gerenciamento de resíduos da cidade, Voka Snaga, começou a fazer uma coleta seletiva de papel, vidro e embalagens em estandes instalados nas estradas. Quatro anos depois, a empresa começou a coletar lixo biodegradável nas casas dos moradores.

A partir de 2023, a coleta seletiva de resíduos sólidos será obrigatória na Europa, mas Liubliana está quase há duas décadas à frente da meta prevista pela União Europeia. Em 2013, todos os habitantes da cidade receberam caixas para depósito de resíduos de embalagens e papéis. A prefeitura reduziu a coleta domiciliar á metade e, com isso, as pessoas foram obrigadas a separar o lixo doméstico de forma mais eficiente.

A reeducação das pessoas em relação ao tratamento a ser dado aos resíduos produzidos em suas atividades cotidianas foi um sucesso. Em 2008, a cidade reciclou apenas 29,3% do lixo proveniente de trabalhos domésticos, industriais etc., um resultado bem inferior ao de outros países da Europa. Hoje, a usina de tratamento de resíduos sólidos recicla 68% de lixo e menos de 80% dos resíduos são depositados no aterro sanitário. A capital eslovena produz agora apenas 115 kg de resíduos sólidos per capita por ano.

A inauguração da mais moderna usina de tratamento de resíduos sólidos na cidade, a RCERO, em 2015, representou um passo decisivo para cumprir a meta de reciclar 75% do lixo produzido na cidade até 2025. Atualmente, quase um quarto de todas as cidades da Eslovênia utiliza gás natural para produzir aquecimento e eletricidade, além de transformar 95% dos resíduos sólidos em materiais recicláveis, combustíveis e adubo orgânico. 

Além da coleta de lixo na casa dos moradores, Liubliana tem dois centros de reciclagem de resíduos sólidos, onde os cidadãos descartam o lixo de suas casas.

Sempre que possível, os objetos jogados fora são reutilizados. Uma equipe especializada examina a qualidade dos objetos, providencia a limpeza deles e os coloca à venda por preços bem acessíveis em lojas. Uma oficina oferece aulas semanais de conserto de objetos quebrados para serem reutilizados.

Ainda no âmbito do Programa Lixo Zero, todos os órgãos da prefeitura usam rolos de papel higiênico produzidos com a reciclagem de leite e sucos vendidos em caixas.

No pequeno centro histórico da cidade, a Voka Snaga instalou 67 latas de lixo subterrâneas, que se abrem com cartões magnéticos fornecidos aos moradores da cidade. Apesar do grande número de turistas, o centro histórico está sempre limpo. Funcionários da prefeitura recolhem o lixo a pé e veículos especiais limpam as ruas com a água da chuva coletada nos telhados da Voka Snaga e com detergente biodegradável.  Quase todas as esquinas têm lixeiras para que as pessoas depositem o lixo.

Lubliana ainda enfrenta dificuldades para implantar um modelo de aproveitamento máximo de resíduos sólidos, como a falta de conscientização de alguns cidadãos quanto à importância da coleta seletiva de lixo e o excesso de velas no cemitério, uma tradição de respeito aos mortos da sociedade eslovena.

Ao voltarmos para o aterro sanitário, Lidija Čepon, funcionária da RCERO, mostrou uma pequena quantidade de terra escura coberta por uma fina camada de cascalho. “Este é o tipo de resíduo inerte produzido pela RCERO, que por sua composição físico-química não se decompõe e não apresenta risco para o meio ambiente”, disse com orgulho na voz.

Fontes:
The Guardian-From no recycling to zero waste: how Ljubljana rethought its rubbish

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