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REFERENDO SEPARATISTA

Catalunha se prepara para o referendo pela independência

À medida que a Catalunha se aproxima da reta final do processo eleitoral, a batalha com o governo de Madri se intensifica

Catalunha se prepara para o referendo pela independência
Presidente da Catalunha retrata o governo espanhol como repressivo e antidemocrático (Foto: Wikimedia)

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Na véspera do prometido referendo de independência, a Catalunha está sob tensão. Mas as autoridades de Madri estão confiantes de que impediram qualquer semelhança com a votação organizada que Carles Puigdemont, presidente da Catalunha, que pretendia entregar um resultado “vinculativo”. O máximo que acontecerá, prevê outro funcionário em Madri, é um exercício informal em que alguns votos podem ser lançados em barracas improvisadas.

O governo conservador de Mariano Rajoy confiou aos tribunais do país o poder para interromper os preparativos para o referendo. A pedido de um procurador de Barcelona, uma série de autoridades catalãs foram presas (e libertadas depois) e 9,8 milhões de cédulas eleitorais foram confiscadas. A Generalitat, como o governo catalão é chamado, dissolveu a autoridade eleitoral que tinha criado após o tribunal constitucional da Espanha ameaçar seus membros com multas diárias de 12 mil euros (cerca de US$ 14 mil) para cada um. O ministro do interior inundou a Catalunha com milhares de policiais extras. Um procurador ordenou que a polícia local fechasse as escolas e outros edifícios públicos que seriam usados como zonas eleitorais.

Puigdemont reclama que todas essas ações do governo espanhol são de fato uma suspensão da autonomia regional e insiste que o referendo seguirá em frente. Ao canal de televisão La Sexta, ele disse: “o que faz um referendo? O povo”. Mas o povo vai cooperar?

As prisões vêm sendo seguidas de protestos em Barcelona, mas o número de manifestantes registrado tem sido de poucas dezenas de milhares. Alguns apoiadores do presidente catalão pedem que ele emita uma declaração unilateral de independência já no próximo dia 2. Entretanto, ele tem optado por um ritmo mais lento nas negociações, dizendo que o parlamento catalão decidiria sobre a independência.

Na ausência de uma maioria clara pela independência, a administração Puigdemont trava uma batalha de propaganda. Ele retrata o governo espanhol como repressivo e antidemocrático. Fotos de filas de pessoas incapazes de votar reforçaria essa imagem.

Um dos principais alvos da Generalitat é a opinião internacional. O governo catalão estabeleceu dez “embaixadas” no exterior e planeja mais. Até o momento, os únicos líderes estrangeiros que expressaram apoio ao referendo foram o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e a primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon.

Na Europa, tem corrido um murmurinho do que eles enxergam como uma abordagem pesada de Rajoy. Mas nenhum governo europeu tende a encorajar o separatismo, seja na Espanha ou em qualquer país. A Comissão Europeia reafirmou que a Catalunha deixaria a União Europeia se ela se separar da Espanha. Alfonso Dastis, ministro das Relações Exteriores do país, disse que está satisfeito com o nível de apoio que tem recebido. Até mesmo o presidente americano, Donald Trump, apoiou o governo de Madri.

De acordo com Puigdemont, a Generalitat “ampliou o perímetro de conhecimento do que está acontecendo na Catalunha”. Seus esforços estão mais concentrados em parlamentos e mídia internacional do que em governos. Está participando de um longo jogo na opinião internacional. Rajoy talvez esteja ganhando a batalha legal, mas a guerra política na Catalunha está longe de acabar.

Fontes:
The Economist-Catalonia prepares for its independence referendum

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