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Braile chinês

Cegos na China lutam mais para vencer a deficiência

Peculiaridades da língua fazem com que o uso do braile seja mais difícil para os chineses

Cegos na China lutam mais para vencer a deficiência
O braile é chave para a alfabetização (Fonte: Reprodução/CNS)

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A China tem 17 milhões de deficientes visuais, grupo que inclui 6 milhões de pessoas completamente cegas. Poucas recebem uma educação básica, e muito menos chegam à universidade. Há apenas 22 escolas para cegos, com um total de 1.500 alunos. O governo enxerga a massagem como a ocupação padrão para os cegos. Cerca de 17.000 foram treinados para a profissão no ano passado. Dentre as 2.000 universidades chinesas, apenas três – todas de Xangai – aceitam estudantes cegos.

Para cegos na China, assim como em outros lugares, o braile é chave para a alfabetização. Mas as peculiaridades da língua fazem com que o uso do braile seja mais difícil para os chineses. O chinês tem dezenas de milhares de caracteres. Seus fonemas monossilábicos podem ser expressados em letras romanas mediante o uso de um sistema chamado pinyin. O chinês em braile é baseado no pinyin, não em caracteres, mas a língua é repleta de homófonos. Os quatro tons do mandarim, assim como o contexto, ajudam a eliminar ambiguidades. Mas nem sempre. (Em conversas, é comum os chineses utilizarem a palma da mão para indicar qual caractere está sendo expressado). Estudantes cegos estão em uma situação ainda mais precária caso estejam acostumados a pronunciar os caracteres em seu dialeto local em vez de utilizar a pronúncia mandarim utilizada pelo pinyin.

Han Ping, especialista em educação de cegos da Universidade Union de Beijing, afirma que o governo precisa fazer mais. “Não deveria haver problemas, tecnicamente, em traduzir uma prova para braile”, afirma. Mas as universidades e autoridades locais não têm motivação para ajudar.

Texto da revista Economist editado para o Opinião e Notícia
Tradução: Eduardo Sá

Fontes:
The Economist - Chinese Braille: Feeling their way

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1 Opinião

  1. Roberto1776 disse:

    Quando um país se agarra em um sistema de escrita que não evoluiu em mais de 4.000 anos é isso que dá. Já o Vietnã, que sofria o mesmo problema com o sistema de ideogramas, teve o seu problema (gravíssimo) de analfabetismo (dá para chamar de analfabeto um sujeito que não consegue memorizar 5.000 ideogramas? Acho que não) resolvido drasticamente pelos “maus colonizadores franceses – brancos – os maus sempre são os brancos” no fim do século 19.
    O que é que os malvados franceses fizeram? Aboliram essa loucura que é o sistema de escrita com ideogramas e forçaram o uso do alfabeto ocidental (26 símbolos fonéticos contra 5.000 ideogramas).
    você precisa procurar muito para encontrar um vietnamita analfabeto. Antes, era dificílimo encontrar um vietnamita que entendesse os ideogramas utilizados (que, por acaso, eram os mesmos ideogramas chineses).
    E la nave va…

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