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Censura ameaça livrarias na China

Famosa livraria em Xangai está com os dias contados

Censura ameaça livrarias na China
Durante duas décadas, Jifeng testou a paciência de autoridades (Foto: Pixabay)

Na estação ferroviária de baixo da principal biblioteca pública em Xangai, na China, fica uma livraria, chamada Jifeng. Apesar de ser um local famoso, seus dias estão contados. Aparentemente, as autoridades se cansaram da seleção de obras da livraria e das rodas de conversas sobre temas polêmicos.

O proprietário da loja é a biblioteca pública, e a instituição diz que não vai ter outra escolha quando o contrato de aluguel acabar. Os clientes, por sua vez, estão de luto. Os donos da livraria deixaram claro que a loja não deve conseguir autorização para ser reaberta em Xangai.

Durante duas décadas, Jifeng testou a paciência de autoridades culturalmente conservadoras de Xangai. Um de seus fundadores foi um proeminente acadêmico liberal antes do massacre da Praça Tiananmen, em 1989. A seleção da loja dos livros de política e filosofia reflete seus gostos.

Na China, livrarias privadas continuam a desafiar tanto a concorrência de livrarias on-line quanto a pesada censura. Fang Suo Commune, por exemplo, é uma rede de livrarias que abriu sua primeira loja há seis anos em Guangzhou. Na época, parecia ter pouca chance de sucesso por conta do local escolhido. Afinal, a zona sul da cidade muitas vezes é desprezada como um “deserto cultural”. No entanto, a Fang Suo Commune virou uma marca tão forte como a Dior (grife de moda europeia). Ao entrar na livraria, os clientes encontram uma vitrine de volumes de poesia, incluindo traduções chinesas do irlandês Seamus Heaney, que já recebeu o Prêmio Nobel, e de Philip Larkin, um dos autores britânicos mais amados do século XX. Como em muitas livrarias ocidentais, os funcionários são escolhidos por seus conhecimentos em temas relacionados com as obras à venda: algo raramente encontrado entre os funcionários das lojas estatais.

A livraria também vende roupas. Um canto da loja é dedicado para a marca Exception de Mixmind, que foi fundada pelo proprietário da loja, Mao Jihong, e que já fez casacos para primeira-dama da China, Peng Liyuan. As roupas são responsáveis por 20-30% das vendas da loja, segundo Cheng Chen, porta-voz da livraria.

Lojas semelhantes, com cafés e seções de venda de produtos como bules e ecobags, vêm abrindo em todo o país. Em 2015, a Eslite, rede taiwanesa, entrou no mercado na China, com uma filial na cidade de Suzhou, ao oeste de Xanghai. Outra loja da rede ia abrir em Xangai, mas não chegou a sair do papel, possivelmente por razões políticas. Em Taiwan, a loja vende itens que seriam considerados sensíveis na China, como um documentário em DVD sobre Ai Weiwei, artista dissidente chinês.

A Commune está planejando abrir uma grande filial num shopping em Xangai no próximo ano. Isso deve testar a tolerância das autoridades locais. Assim como a Jifeng, a Commune tenta atrair clientes organizando rodas de conversas. No entanto, empresas como a Commune estão tomando cuidado para não provocar as autoridades descaradamente. A loja obtém livros importados de uma distribuidora estatal, que proíbe qualquer obra que faça críticas ao partido comunista.

Fontes:
The Economist-Despite censorship, China has some cool bookshops

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