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Chefe do Exército da Argentina renuncia ao cargo

O general César Milani, que é acusado de violar direitos humanos, dividia cúpula kirchnerista

Chefe do Exército da Argentina renuncia ao cargo
O general César Milani é acusado de violar direitos humanos durante a ditadura (1976-1983) (Foto: Wikimedia)

Na última terça-feira, 23, um dos personagens mais controvertidos do governo de Cristina Kirchner renunciou ao cargo de chefe do Exército argentino. O general César Milani, que veio do setor de inteligência das Forças Armadas, é acusado de violar direitos humanos durante a ditadura (1976-1983). Ele foi substituído pelo general Ricardo Cundom.

Milani argumentou que sua renúncia está ligada a “razões estritamente pessoais”. Aos 60 anos,  ele é acusado do desaparecimento do soldado Alberto Ledo em 1976, na província  nordestina de Tucuma. “Esperamos que a saída dele do poder ajude a apressar o julgamento. Claramente, houve lentidão pelo cargo que ele ocupava”, disse a irmã do soldado, Graciela Ledo, ao Estado de S. Paulo. Além disso, ele é acusado de torturar dois membros de uma família na província de La Rioja.

A decisão da presidente de nomeá-lo comandante do Exército foi criticada por grupos de defesa dos direitos humanos, mas as entidades kirchneristas da área o apoiaram. O caso mais paradoxal é o da líder das Mães da Praça de Maio, Hebe de Bonafini, que surpreendeu parte de seu próprio movimento ao apoiar Milani, a quem foi apresentada por Néstor Kirchner. Graciela Fernández Meijide, opositora que teve um filho sequestrado pelos militares, interpretou a saída de Milani como uma forma de o governo se livrar de um quadro inconveniente, a quatro meses da eleição presidencial.

A deputada opositora Elisa Carrió ironicamente pediu em fevereiro a Milani que não a matasse, já que ela o acusou de participação na morte do promotor Alberto Nisman em janeiro, depois de denunciar Cristina por encobrir iranianos acusados de atacar uma entidade judaica em 1994. Segundo a deputada, o militar, que sabia detalhes da investigação feita por Nisman com espiões, teria desmobilizado os guarda-costas dele no dia em que foi encontrado morto. Ela não apresentou provas.

 

 

 

Fontes:
O Estado de S. Paulo-Cai Chefe do Exército da Argentina

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