Início » Internacional » Chernobyl: o símbolo do apocalipse soviético
FIM DA URSS

Chernobyl: o símbolo do apocalipse soviético

Um acidente nuclear que causou muitas mortes, inclusive a da União Soviética

Chernobyl: o símbolo do apocalipse soviético
O simbolismo dos acontecimentos em Chernobyl estendeu-se muito além do acidente em si (Foto: Wikipedia)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

A usina nuclear de Chernobyl é um símbolo da extinção da civilização soviética. Em segredo, a KGB advertira os líderes soviéticos a respeito das falhas de segurança e dos problemas do reator. Mas à 1h23 do dia 26 de abril de 1986, durante um teste do sistema, uma oscilação de energia provocou uma explosão de vapor que destruiu o teto da usina e causou um incêndio de grandes proporções. A explosão liberou um material radioativo quatrocentas vezes maior do que o da bomba atômica de Hiroshima. O acidente nuclear também explodiu a imagem da propaganda soviética.

Os acontecimentos seguintes foram ainda mais deploráveis do que os erros que causaram a explosão. As autoridades soviéticas não divulgaram o acidente. A Suécia foi o primeiro país a anunciar que detectara um aumento de radioatividade na atmosfera. Enquanto os bombeiros tentavam heroicamente extinguir o incêndio sob o efeito de doses fatais de radiação, as crianças em Pripyat, um vilarejo próximo a Chernobyl, jogavam futebol nas ruas e os casais celebravam casamentos ao ar livre.

Só em 29 de abril, o governo fez uma declaração de 15 segundos no noticiário da noite. No dia 1º de maio milhares de pessoas assistiram ao desfile em homenagem ao Dia do Trabalho em Kiev, onde os níveis de radiação eram muito mais altos do que o normal.

Em vez de fornecer informações, a máquina da propaganda soviética estava ocupada em responder às perguntas da mídia estrangeira. O jornal Moscow News publicado em várias línguas, publicou um artigo intitulado “Uma nuvem envenenada de antissovietismo”. O artigo denunciava “uma campanha premeditada e bem organizada”, com o objetivo de “encobrir os atos militares criminosos dos EUA e da Otan”. Os jornalistas estrangeiros foram impedidos de viajar para a Ucrânia. A KGB manteve em segredo as informações, não só sobre o acidente nuclear como também quanto às doenças causadas pela contaminação radioativa. Quarenta e um homens morreram em decorrência da explosão e da fusão do reator; segundo uma pesquisa da Organização Mundial de Saúde (OMS),  o desastre nuclear em Chernobyl provocou cerca de 4 mil mortes prematuras.

O simbolismo dos acontecimentos em Chernobyl estendeu-se muito além do acidente em si, em parte porque a energia nuclear era mais do que um serviço de utilidade pública na antiga União Soviética. Era o símbolo do progresso técnico e da modernidade que constituía o cerne da utopia comunista. A conquista da natureza pelo novo homem soviético fazia parte da mitologia; o símbolo da cidade de Pripyat era Prometeu. Mas Chernobyl transformou-se no símbolo do apocalipse.

Fontes:
The Economist-Soviet apocalypse

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *