Início » Economia » Chile condena manipulação em relatório do Banco Mundial
ALTERAÇÕES NA AVALIAÇÃO

Chile condena manipulação em relatório do Banco Mundial

Presidente chama de ‘imorais’ as alterações na avaliação da competitividade do país, constatadas pelo economista-chefe do banco

Chile condena manipulação em relatório do Banco Mundial
Alterações nos indicadores chilenos tiveram impacto negativo no governo de Bachelet (Foto: Ryan Brown/UN Women)

O governo do Chile anunciou no último sábado, 13, que vai pedir uma investigação completa do caso envolvendo a manipulação dos indicadores chilenos de competitividade no ranking empresarial Doing Business, um dos principais do Banco Mundial.

Elaborado anualmente, o ranking analisa a competitividade de acordo com leis que facilitam ou dificultam as atividades empresariais em cada um dos países analisados. No caso do Chile, a volatilidade da variação dos indicadores foi fruto de alterações na aplicação da metodologia, que teria sido trocada várias vezes, modificando os dados de vários países, entre eles o Chile.

Em entrevista ao Wall Street Journal, o economista-chefe do Banco Mundial, Paul Romer, disse que a posição do Chile no ranking foi “especialmente volátil nos anos” e que a variação foi “potencialmente contaminada por motivações políticas no Banco Mundial”. “Com base em medições que fizemos anteriormente, as condições de negócio não pioraram na gestão de Bachelet”, disse Romer.

Romer reconheceu sua responsabilidade no problema, pediu desculpas ao Chile e disse que corrigirá e recalculará os rankings elaborados nos últimos quatro anos. “Quero me desculpar pessoalmente com o Chile e com qualquer outro país que tenhamos transmitido uma impressão equivocada”, disse o economista-chefe.

Elaborado pelo economista Augusto López-Claro, que é chileno, o ranking apontou uma queda na competitividade do Chile durante o segundo mandato da presidente Michelle Bachelet. Em contraponto, os indicadores referentes ao governo do conservador Sebastian Piñera (2010 – 2014), apontavam aumento na competitividade. Piñera foi reeleito no ano passado e deve assumir a presidência em março deste ano.

López-Claro classificou as declarações de Romer como “totalmente sem mérito” e disse que as mudanças feitas na metodologia “não tinham ênfase no impacto que as alterações teriam em países em particular”.

Segundo ele, a posição do Chile se deteriorou conforme outros países assumiram uma postura mais agressiva referente a reformas. Nos relatórios feitos entre 2013 e 2016, por exemplo, López-Claro aponta que o México fez oito reformas significativas, enquanto o Chile introduziu apenas duas. “Não muito surpreendentemente, o México suplantou o Chile como país com melhor ambiente de negócios da América Latina”, disse López-Claro.

Em sua página no Twitter, Bachellet alertou para o impacto negativo que a alteração dos indicadores teve na economia do Chile e na credibilidade da instituição. “É muito preocupante o ocorrido com o ranking de competitividade do Banco Mundial. Além do impacto negativo na situação do Chile, a alteração prejudica a credibilidade de uma instituição que deve contar com a confiança da comunidade internacional. […] Dada a gravidade do ocorrido, como governo, pediremos formalmente ao Banco Mundial uma investigação completa. Os rankings feitos pelas instituições internacionais devem ser confiáveis, já que impactam sobre os investimentos e o desenvolvimento dos países”, disse a presidente chilena.

Em comunicado, o ministro de Economia chileno, Jorge Rodríguez Grossi, disse que o episódio revela uma “imoralidade poucas vezes vista”. Ele disse considerar as declarações de Romer “muito francas e honradas”, mas apontou que elas revelam um “escândalo de grandes proporções”.

“O objetivo era mostrar uma deterioração econômica durante o governo de Bachelet, com intenções basicamente políticas […] Esperamos que a correção do ranking seja rápida, mas o dano já ocorreu. Esperamos que nunca mais manipulem estatísticas com objetivos políticos, principalmente em um órgão como o Banco Mundial”, disse Grossi.

Esta não é a primeira vez que Romer diverge da equipe econômica do Banco Mundial, instituição da qual passou a fazer parte em outubro de 2016. Em maio do ano passado, ele divulgou um comunicado interno pedindo que as análises fossem redigidas de forma mais clara e transparente.

Segundo ele, os relatórios eram redigidos “quase que em outro idioma, tanto na semântica quanto na gramática” e “se tornaram mais vagos, mais distantes da vida social concreta; um código técnico separado da comunicação cotidiana”.

Fontes:
DW Notícias-Chile condena manipulação em relatório do Banco Mundial
The Wall Street Journal-World Bank Unfairly Influenced Its Own Competitiveness Rankings

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *