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ENVOLTO EM PROTESTOS

Chile inicia processo para nova Constituição

Iniciativa atende a uma das demandas da onda de protestos no país. Policiais são acusados de mirar e atirar nos olhos de manifestantes

Chile inicia processo para nova Constituição
O projeto está sendo tratado com urgência (Foto: Min. Interior Chile/Twitter)

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O ministro do Interior do Chile, Gonzalo Blumel, confirmou na noite do último domingo, 10, o início do processo para a elaboração uma nova Constituição chilena. As mudanças ocorrerão com “ampla participação cidadã”, segundo Blumel.

“Entendemos que é preciso reconstruir o pacto social, que nos últimos tempos vimos ser uma demanda de cidadania. […] Iniciaremos um amplo diálogo com todos os setores e forças sociais para alcançar acordos amplos. Queremos trabalhar com urgência, mas também com responsabilidade”, afirmou o ministro.

No último sábado, 9, o presidente do Chile, Sebastián Piñera, já havia anunciado que estava preparando uma mudança na Constituição, que foi promulgada na ditadura de Augusto Pinochet.

A ideia, segundo Blumel, é que o Congresso seja um dos principais responsáveis pela coleta de demandas dos chilenos. O texto da nova Constituição deve ser confirmado através de um plebiscito. O projeto está sendo tratado com urgência, mas Blumel garante que as mudanças serão feitas “com responsabilidade”.

A mudança na Constituição atende uma demanda das manifestações, que começaram no último dia 18 de outubro e já duram quase um mês. Impulsionados por um aumento nas tarifas do metrô – que já foi suspenso -, os protestos exigem mudanças na Constituição através de uma assembleia constituinte.

Em pouco menos de um mês, as manifestações já deixaram 20 mortos e aproximadamente 2 mil pessoas feridas. Ademais, de acordo com dados do Instituto Nacional de Direitos Humanos do Chile (INDH), cerca de 5 mil pessoas já foram detidas durante os protestos.

Uma das coisas que vem chamando a atenção nas manifestações é uma prática policial denunciada pelos manifestantes. Os agentes estariam mirando e atirando balas de borracha e de ar comprimido nos olhos dos manifestantes.

Pelo menos 182 pessoas já sofreram danos oculares por balas disparadas pela polícia chilena, responsável por tentar conter os protestos no país, de acordo com o INDH – segundo o Medical College do Chile, os feridos oculares passam de 200. O número supera casos aparente mais graves, como da disputa entre Palestina e Israel, que teve 154 registros em seis anos.

“Temos pacientes que perderam os olhos como resultado de bombas de gás lacrimogêneo, o que significa que o protocolo não está sendo cumprido, uma vez que são lançados diretamente na face”, afirmou Patricio Meza, vice-presidente do Medical College do Chile, segundo noticiou o jornal La Nacion.

O caso considerado um dos mais grave até o momento é de um estudante de psicologia de 21 anos, identificado como Gustavo Gatica, que foi atingido por balas de ar comprimido nos dois olhos. De acordo com testemunhas, ele estava fotografando as manifestações – manifestantes acusam a polícia de estar coibindo jornalistas e pessoas comuns de filmarem ou fotografarem os protestos e a repressão policial.

De acordo com a Clínica Santa María, localizada em Santiago, na capital do Chile, as balas causaram no estudante “grave trauma ocular bilateral e visão nula desde a primeira avaliação”. Os oftalmologistas da clínica afirmaram que o estudante perdeu a visão do olho esquerdo. No entanto, os médicos ainda aguardam uma recuperação no olho direito.

A Procuradoria do Chile já abriu investigações contra 14 policiais por acusações de tortura. Além disso, um tribunal chileno aceitou uma ação contra Piñera por responsabilidade em crimes contra a humanidade cometidos nas manifestações.

Fontes:
G1-Chile anuncia processo para nova Constituição por meio de uma Constituinte e plebiscito
Estado de Minas-Chile tem alto número de feridos nos olhos por balas de chumbo da Polícia

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