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A política das estátuas

China ajuda Coreia do Sul a honrar assassino de líder colonial japonês

China vai erguer estátua em Harbin, nordeste do país, para honrar o assassino coreano de um líder colonial japonês

China ajuda Coreia do Sul a honrar assassino de líder colonial japonês
Presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, sugeriu a ideia ao presidente Xi Jinping durante uma visita à China em junho (Reprodução/Internet)

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Nada une a China e a Coreia do Sul tão rapidamente quanto a história imperial japonesa. A sua manifestação mais recente foi a decisão da China de erguer uma estátua em Harbin, nordeste do país, para honrar o assassino coreano de um líder colonial japonês. O presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, sugeriu a ideia ao presidente Xi Jinping durante uma visita à China em junho. Em 18 de novembro Park agradeceu ao conselheiro de estado da China, Yang Jiechi, que visitava o país, pelo desenvolvimento de sua ideia. O abismo entre o Japão e seus vizinhos parece estar aumentando.

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Ahn Jun-gen foi um nacionalista coreano e ativista de independência que em 26 de outubro de 1909 atirou e matou Hirobum Ito em uma estação de trem em Harbin. Ito servira como governador colonial japonês da Coreia e também como primeiro-ministro japonês. Ele estava em Harbin para negociar com representantes russos assuntos relacionados à ferrovia da Manchúria. Ahn, que tinha apenas 30 anos de idade quando foi executado pelos japoneses pelo crime, há muito é tratado como um herói na China e na Coreia, onde ele é protagonista de filmes e livros infantis. Enquanto esperava pela execução em 1910 ele escreveu um ensaio “Sobre a paz na Ásia Oriental”, que expressava profundo pesar pelas agressões japonesas.

Mas para a China e Coreia do Sul, a cooperação para criar uma nova estátua também tem relevância contemporânea. Os dois países têm tido relações melhores nos últimos meses que em muitos anos. “O desenvolvimento no nordeste da Ásia mais negligenciado nos últimos tempos é o rápido fortalecimento das relações China-Coreia do Sul”, afirma John Delury, historiador da Universidade Yonsei, Seoul. Em outubro Xi se encontrou novamente com Park, na Indonésia, e cogitou a possibilidade de um acordo bilateral de livre comércio.

Autoridades japonesas responderam e chamaram Ahn de criminosos. Para os japoneses, Ito era uma figura imponente, um dos arquitetos da constituição Meiji. Um porta-voz do governo afirmou que erguer uma estátua em homenagem a Ahn na China não contribuiria para as relações entre Japão e Coreia do Sul, mas essa parece ter sido exatamente a ideia.

Fontes:
The Economsit-The politics of statues

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