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QUEBRA DE MONOPÓLIO

China ameaça mais um monopólio dos Estados Unidos

O progresso do setor de tecnologia na China ameaça a supremacia do Vale do Silício

China ameaça mais um monopólio dos Estados Unidos
A visão dos EUA quanto ao progresso tecnológico da China passou por diversas fases (Foto: PxHere)

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Apesar do declínio da qualidade de suas estradas, aeroportos e escolas, os Estados Unidos manterão sua liderança em áreas mais sofisticadas por muitos anos, dizem os americanos e os amigos dos EUA. Essas áreas incluem o sistema de defesa, as universidades de elite e, o mundo dos negócios, a tecnologia de ponta. Os EUA perderam a liderança no setor de exportações para a China em 2007, e na produção industrial em 2011, mas o Vale do Silício ainda concentra as melhores ideias, os investimentos em inovações inteligentes e empreendedores criativos e ambiciosos.

A visão dos EUA quanto ao progresso tecnológico da China passou por diversas fases nos últimos 20 anos. Primeiro, o avanço era irrelevante, em seguida, as empresas chinesas foram acusadas de imitarem tecnologias americanas ou de fazerem espionagem industrial. Há pouco tempo, a tecnologia chinesa foi comparada às espécies de animais exóticos que vivem no arquipélago dos Galápagos e que nunca saem de suas ilhas. Por fim, os EUA assistem amedrontados ao rápido avanço tecnológico da China. A era da “arrogância imperial” está terminando, disse um executivo do Vale do Silício.

Os gigantes tecnológicos chineses, Alibaba e Tencent têm o mesmo valor de mercado da Alphabet e do Facebook. Novas empresas como Didi Chuxing, de serviço de transporte privado, Ant Financial, de pagamentos online, e Lufax na área de gestão de patrimônio, estão crescendo em um ritmo acelerado. O volume de vendas no comércio eletrônico é o dobro dos EUA e os chineses fazem 11 vezes mais pagamentos pelo celular do que os americanos, que ainda usam o anacrônico talão de cheques.

Os americanos que visitam as cidades de Pequim, Hangzhou e Shenzhen surpreendem-se com o dinamismo empresarial dos chineses. No ano passado, o governo iniciou um plano estratégico para capacitar a China a ser a líder global em inteligência artificial (IA) em 2030. O plano envolve o desenvolvimento de cidades inteligentes, a fabricação de carros autônomos e a criação de padrões tecnológicos globais, entre outros projetos.

A hegemonia dos EUA no setor de tecnologia tem ajudado a economia do país. As empresas do setor empregam 7 milhões de pessoas, com o dobro do salário médio do mercado de trabalho americano. Outros segmentos empresariais beneficiam-se com o progresso tecnológico e aumentam sua produtividade. Segundo a McKinsey, as empresas americanas são 50% mais “digitalizadas” do que as europeias.

Os EUA estabelecem diversos padrões globais na área de tecnologia e comunicações como, por exemplo, no design da entrada USB e de regras para conteúdo online. E a receita anual de US$180 bilhões das empresas de tecnologia no exterior é muito mais importante do que ter o dólar como moeda de referência mundial.

A perda desses benefícios seria prejudicial não só para a economia do país, como também para sua imagem. Porém, os dados compilados por Kai-Fu Lee, CEO da Sinovation Ventures, a partir de informações das empresas AllianceBernstein, Bloomberg, CB Insights, Goldman Sachs e McKinsey, além de uma relação de 3 mil empresas de tecnologia com ações nas bolsas de valores, de 226 unicórnios, empresas de capital fechado com um valor de mercado de mais de US$1 bilhão, e da Huawei, uma empresa multinacional de equipamentos para redes e telecomunicações, indicaram que a China ainda não alcançou o desenvolvimento tecnológico dos EUA.

No entanto, no ritmo atual, essa meta deverá ser atingida em um período de 10 a 15 anos e os dois países dominarão o mercado mundial. Para os executivos do Vale do Silício, que detinham o monopólio das inovações tecnológicas, a concorrência com a China será inevitável.

Fontes:
The Economist - How does Chinese tech stack up against American tech?

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