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EMBATE NA ONU

China e Rússia estão vencendo a luta contra os direitos humanos

Países vêm minando iniciativas da ONU para promoção dos direitos humanos sem encontrar resistência do Ocidente

China e Rússia estão vencendo a luta contra os direitos humanos
Cenário atual reflete uma mudança na balança de poder da ONU (Foto: kremlin.ru)

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A China e a Rússia estão vencendo a luta contra os direitos humanos sem encontrar resistência de países Ocidentais que têm na proteção desses direitos a base de sua própria existência. Um dos fronts desta batalha é a Organização das Nações Unidas (ONU), onde os governos de Pequim e Moscou vêm ganhando espaço no combate ao direitos humanos.

Segundo um artigo da revista Foreign Policy, na semana passada, por exemplo, ambos os governos conseguiram barrar uma proposta para que alto comissariado da ONU para Direitos Humanos, Zeid Raad al-Hussein, passasse a reportar em reuniões do Conselho de Segurança casos de flagrantes violações aos direitos humanos na Síria.

A proposta falhou após os três representantes africanos do conselho – Costa do Marfim, Guiné Equatorial e Etiópia – se absterem de votar. A Costa do Marfim foi quem deu o golpe fatal na proposta. A princípio, o país se comprometeu a seguir o voto de países ocidentais, mas mudou de ideia no último momento. Segundo o artigo da Foreign Policy, tal reviravolta é fruto de uma intensa pressão diplomática da China.

Segundo o artigo, casos como este não são isolados. “Em uma gama de fronts, China e Rússia se tornaram crescentemente ativas em seus esforços para minar a defesa dos direitos humanos, mirando em financiamentos para programas de direitos humanos da ONU, impedindo ativistas de participarem de reuniões da ONU e elevando a pressão sobre países menores para que votem com eles no Conselho de Segurança”, diz o texto, que também afirma que Pequim e Moscou se aproveitam do sentimento de alguns países que veem nos direitos humanos um meio de manipulação do Ocidente sobre outros Estados.

Segundo Richard Gowan, enviado da ONU no Conselho Europeu sobre Relações Externas, a China é o principal ator neste contexto. “O país sabiamente combinou mensagens positivas em relação às mudanças climáticas e desenvolvimento com uma abordagem cada vez mais intransigente para limitar os direitos humanos. Consegue sair impune disso porque muitos diplomatas veem o engajamento de Pequim na ONU como uma segurança ao afastamento de Donald Trump [da política de multilateralismo]”.

À medida que a participação da China no orçamento da ONU aumentou nos últimos anos, seus diplomatas passaram a buscar cortes mais acentuados nos gastos da organização. E o alvo principal tem sido cargos e iniciativas de promoção aos direitos humanos.

Para observadores, isso reflete uma mudança na balança de poder da ONU, na qual países que se opõem aos direitos humanos – como Rússia, China, Paquistão e Egito – vêm ganhando espaço, enquanto antigos defensores dos direitos humanos, como EUA e países europeus, vêm defendendo tais causas com menos vigor.

A letargia ocidental em relação ao avanço chinês contra os direitos humanos também é debatida em um artigo publicado na rede Al Jazeera, por Sophie Richardson, diretora para assuntos da China da Human Rights Watch.

“O termo ‘normalização’ está em amplo uso nos dias atuais, tipicamente para significar a aceitação implícita ou explícita de um comportamento problemático. Na diplomacia, significa dois países estabelecendo relações diplomáticas formais. Mas agora também tem um significado perverso na política internacional contemporânea: indivíduos e instituições de partes do mundo onde os direitos humanos são geralmente protegidos não estão apenas se aproximando, mas também elogiando cada vez mais publicamente suas contrapartes chinesas […]. Ao fazê-lo, eles possibilitam o encobrimento de um regime abusivo, com aspirações globais de mudar e estabelecer as regras da vida política moderna”, diz o artigo.

O texto sugere que países e empresas que atuam ou mantêm relações com a China devem se engajar de forma mais profunda para impedir os abusos do país contra os direitos humanos. “Isso significa tratar a China como muitos governos tratam o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quando ele dá declarações ultrajantes ou adota políticas retrógradas. Líderes democráticos condenam os comentários de Trump sobre ‘fake news’, mas não condenam a censura ou a propaganda chinesa. Eles criticam Trump por sua hostilidade em relação à ONU, mas não têm nada a dizer sobre os esforços da China para enfraquecer a organização”, finaliza o artigo.

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