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AJUDA HUMANITÁRIA

China envia 71 toneladas de suprimentos à Venezuela

Remessa faz parte dos acordos de cooperação técnicos humanitários firmados entre os dois países para aliviar a crise humanitária na Venezuela

China envia 71 toneladas de suprimentos à Venezuela
A China é uma das principais aliadas da Venezuela e se opõe a uma intervenção no país (Foto: Twitter/Aeropuerto de Maiquetía)

Um avião chinês com 71 toneladas de medicamentos e insumos médico-cirúrgicos pousou na China na última segunda-feira, 13, como parte dos acordos de cooperação técnicos humanitários firmados entre os dois países.

Segundo noticiou a CNN, o avião, um Boeing 747, pousou no aeroporto de Maiquetía, localizado cerca de 20 km de Caracas. Os suprimentos serão enviados a agências designadas pelo governo para fazer a distribuição.

É a segunda remessa de suprimentos que chega ao país desde março, quando a China enviou 65 toneladas de medicamentos e insumos médicos para auxiliar o país a aliviar a crise humanitária que assola a população.

O ministro da Saúde venezuelano, Carlos Alvarado, informou em comunicado à imprensa que, somando a carga atual com as remessas recebidas da Rússia e da Cruz Vermelha, a Venezuela já recebeu um total de 166 toneladas de remédios e suprimentos.

A China é uma das principais aliadas da Venezuela e se opõe veementemente a uma intervenção militar no país. O governo de Pequim já emprestou vastas somas de dinheiro a Caracas. Somente na última década, foram mais de US$ 50 bilhões através de acordos conhecidos como oil-for-loan (“petróleo por empréstimo”, em tradução livre).

Maduro também tem permitido a entrada de ajuda humanitária do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), que anunciou que vai triplicar a ajuda humanitária enviada à Venezuela, aumentando de US$ 9 milhões para US$ 24,6 milhões o orçamento destinado ao país. Em contraponto, Maduro vem barrando a entrada de remessas provenientes de países não aliados e sem acordo para entrada, enviadas por EUA e países do Grupo de Lima.

Em seu comunicado à imprensa, Alvarado informou que, nos próximos seis meses, está prevista a chegada de mais medicamentos e suprimentos no valor de US$ 104 milhões. Segundo o ministro, além da remessa, medicamentos comprados diretamente da China ajudarão “a reduzir o impacto do bloqueio criminoso perpetrado pelo império norte-americano” – em referência ao embargo ao petróleo venezuelano imposto pelos EUA em abril.

Em 28 de abril deste ano, os EUA anunciaram uma série de medidas destinadas a elevar a pressão contra Maduro. Duas delas foram consideradas as mais incisivas. Uma prevê sanções a qualquer instituição financeira, com sede em território americano, de fazer transações com a Venezuela, o que levou bancos do mundo todo a não mais fazer negócios no país.

A outra prevê o embargo ao petróleo venezuelano – principal fonte de renda do país – sob a justificativa de evitar que dólares americanos gerassem renda para Maduro. Pelo fato de serem os EUA o principal comprador do petróleo venezuelano, a medida atingiu em cheio a economia da Venezuela, que há anos vinha em espiral decrescente por conta da gestão caótica de Maduro. As medidas anunciadas por Washington acabaram por contribuir para o agravamento da crise humanitária na Venezuela.

Representante de Guaidó solicita reunião com Comando Sul

Carlos Vecchio, representante em Washington do opositor e autoproclamado presidente venezuelano Juan Guaidó, solicitou na segunda-feira uma reunião com o Comando Sul dos Estados Unidos para discutir estratégias de cooperação e planejamento “a fim de aliviar o sofrimento do povo venezuelano e restabelecer a democracia” no país.

Segundo informou a agência de notícias AFP, em uma carta ao chefe do órgão, o almirante Craig Faller, Vecchio diz que “as condições na Venezuela pioraram, como consequência do regime corrupto, incompetente e ilegítimo do usurpador Nicolás Maduro”.

A delegação de Guaidó em Washington espera que o pedido seja atendido e a reunião ocorra nos próximos dias. A medida é mais um esforço de Guaidó para manter a força e pressão contra Maduro, num momento em que as manifestações de rua contra o presidente perdem fôlego.

Guaidó se autoproclamou presidente em 23 de janeiro deste ano, dias após Maduro inaugurar seu segundo mandato, garantido por meio de uma controversa eleição presidencial. Ele imediatamente ascendeu como uma esperança para venezuelanos assolados pela crise econômica e humanitária e foi reconhecido como presidente interino da Venezuela por mais de 50 países, incluindo o Brasil. Sua ascensão foi temperada por sua incomum capacidade de manter unida a oposição venezuelana.

Porém, desde então, Guaidó vem perdendo tração e se empenha para manter o fôlego e a união da oposição. Em uma recente tentativa de demonstrar força, ele anunciou, em 30 de abril, a chamada “Operação Liberdade”, na qual afirmou ter o apoio dos militares para depor Maduro, no que seria o golpe final para levar o “fim à usurpação” na Venezuela.

A operação, no entanto, foi um fracasso, acabando por ter o efeito contrário de expor que os militares seguem ao lado de Maduro. Críticos passaram a atribuir o fracasso da operação ao opositor Leopoldo López, mentor de Guaidó, que foi responsável por coordenar as negociações com integrantes do governo que supostamente se voltariam contra Maduro. O episódio passou a ser chamado de “leopoldada”.

Dias depois, em entrevista ao jornal Washington Post, Guaidó reconheceu que superestimou o apoio de militares no levante e disse não descartar uma intervenção militar dos EUA na Venezuela. Guaidó passou a convocar greve geral no país e chamar a população às ruas, mas, após um período de adesão, expressiva as manifestações vêm perdendo força.

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